| Resumo: | Introdução: O excesso de peso corporal (EPC) na infância e adolescência constitui um problema crescente,
com repercussões negativas sobre o crescimento e desenvolvimento. Globalmente, estima-se que cerca de
40 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos apresentem EPC (WHO, 2024). Evidências indicam
que esse agravo resulta da interação de fatores individuais e ambientais, destacando-se o ambiente
alimentar, compreendido como o conjunto de contextos físico, econômico, político e sociocultural que
influenciam o consumo de alimentos (COSTA et al., 2018). Assim, torna-se relevante analisar sua relação
com o estado nutricional de escolares. Objetivo: Investigar a associação entre o ambiente alimentar no
entorno das escolas e o EPC em estudantes. Material e Métodos: Estudo transversal e ecológico, realizado
com dados do “Programa Núcleo de Alimentação Escolar e Saúde Interdisciplinar – NAESI”. O estado
nutricional foi avaliado pelo índice de massa corporal por idade (IMC/I). O ambiente alimentar no entorno
das escolas foi classificado em estabelecimentos que comercializam alimentos in natura, mistos ou
ultraprocessados, a partir de dados secundários da gestão pública. Procedeu-se à análise descritiva das
variáveis. Resultados: Foram avaliados 2.489 escolares, dos quais 74,9% eram crianças de cinco a dez
anos (n=1.894). A prevalência de EPC foi de 33,7% e 38,03% em crianças e adolescentes, respectivamente.
A frequência foi maior em estudantes do ensino fundamental I e no sexo masculino, independentemente da
faixa etária. Análise do ambiente alimentar do entorno escolar revelou predomínio de estabelecimentos que
comercializam alimentos ultraprocessados e escassa presença de pontos de venda de alimentos in natura.
Conclusão: Identificou-se elevada prevalência de EPC e um ambiente alimentar caracterizado pela ampla
disponibilidade de produtos ultraprocessados. Os achados sugerem influência do ambiente alimentar sobre
o estado nutricional dos escolares, reforçando a necessidade de políticas públicas.
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