| Resumo: | A educação brasileira é historicamente marcada por disputas políticas em variados processos
complexos e diferentes. Nessa pesquisa, vamos nos ater ao recorte dos acordos bilaterais entre o
Ministério da Educação e Cultura do Brasil (MEC) e a Agência dos Estados Unidos para o
Desenvolvimento Internacional (USAID), a partir de 1964. Esses acordos fizeram parte de uma política
de ajuda externa aos países latino americanos, que estava inserida no contexto histórico de Pós Guerra
e de receio do avanço do comunismo na região. O programa “Aliança Para o Progresso” nasce como
movimento dos Estados Unidos de mostrarem que seus interesses eram os mesmos dos países latino
americanos (Ribeiro, 2006). Tais acordos se caracterizam pela entrega do ensino brasileiro aos
estadunidenses que, por meio dos convênios, fizeram uma série de reformas em todos os níveis de
ensino. Nosso objetivo central é analisar a construção de uma moral para o trabalho embutida na
filosofia dos acordos e, para isso, buscamos compreender os limites da soberania nacional e sua
posição dentro do sistema interestatal (Arrighi, 1996). Nesse sentido, nossa análise parte da
necessidade de articular os acordos com a particularidade do imperialismo norte-americano (Sartoretto,
2018; Karnal, 2007) e sua trajetória de intervenção política na América Latina ao longo do século XX
(Junqueira, 2021). Isso é importante porque as reformas postas à educação brasileira por uma nação
estrangeira nos elucida a sofisticação do instrumento do imperialismo (Ribeiro, 2006), e nos escancara
os limites de uma educação carregada de ideologias estrangeiras que foram responsáveis por forjar uma
ideia de nação, preparação de mão de obra e divulgação da cultura norte-americana como modelo
(Frazon, 2015).
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