| Resumo: | Introdução: O cuidado domiciliar de pessoas com doenças crônicas impõe aos cuidadores familiares uma rotina intensa marcada por sobrecarga física e emocional, muitas vezes pouco reconhecida pelos serviços de saúde. No âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS), a enfermagem exerce papel estratégico no acompanhamento dessas famílias, por meio de atividades educativas, suporte emocional e integração interprofissional. Objetivo: Refletir sobre o papel da enfermagem no apoio aos cuidadores familiares no contexto da APS. Método: Trata-se de um estudo teórico-reflexivo, fundamentado em uma busca na fonte de informação PubMed, apoiado em dois estudos que abordam a prática da enfermagem com cuidadores na APS e no cuidado domiciliar. As evidências foram analisadas à luz dos princípios do cuidado interprofissional, do apoio psicossocial e da integralidade do cuidado. Resultados e Discussão: As evidências indicam que os enfermeiros desempenham papel estratégico na organização do cuidado, atuando como mediadores da comunicação entre equipe de saúde e cuidadores, incentivando a adesão ao tratamento e oferecendo suporte emocional. Um dos estudos analisados apontou que a utilização de serviços de enfermagem domiciliar esteve associada a experiências positivas de cuidado interprofissional, embora os cuidadores tenham identificado falta de apoio direcionado às suas próprias necessidades. Outro estudo destacou que cuidadoras de crianças com fibrose cística reconhecem os enfermeiros como figuras centrais no manejo da doença, especialmente nas situações de crise e em ações educativas em saúde. Entre os desafios mais recorrentes, sobressaem-se a sobrecarga vivenciada pelos cuidadores, a insuficiência de capacitação específica dos profissionais de saúde no contexto da APS e as falhas de comunicação entre os diferentes níveis de atenção de cuidado. Conclusão: A enfermagem na APS possui potencial para ampliar estratégias de apoio aos cuidadores familiares, contribuindo para um cuidado integral e humanizado. Para isso, é necessário fortalecer políticas públicas, investir em formação continuada e reconhecer o cuidador como protagonista do processo de cuidado.
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