RESPOSTA FISIOLÓGICA E DESENVOLVIMENTO RADICULAR DE MUCUNA PRURIENS CULTIVADA SOB ESTRESSE SALINO
Resumo:A salinidade do solo é um fator limitante na agricultura, afetando cerca de um bilhão de hectares de terra mundialmente, o que impacta na produtividade e sustentabilidade agrícola (SINGH, 2022). Nesse contexto, a Mucuna pruriens, utilizada como adubo verde, é uma espécie promissora por apresentar tolerância a diversos estresse abióticos, fato relacionado ao elevado teor do composto L-dopa em seus tecidos (LAMPARIELLO et al., 2012). A L-dopa tem relevância farmacêutica, pois é utilizada no tratamento da doença de Parkinson. O objetivo deste trabalho foi avaliar a produção de biomassa, a fluorescência da clorofila e a morfologia radicular de M. pruriens sob estresse salino. Para isso, sementes escarificadas foram germinadas em B.O.D a 25 °C e fotoperíodo de 12 h. Após 15 dias as plântulas foram transferidas para copos com solução Hoagland (100%) e mantidas em sala de crescimento (25 °C, fotoperíodo 12 h, 60% de umidade). Aos 17 dias aplicou-se os tratamentos de soluções de cloreto de sódio (NaCl) a 0, 25, 50, 100 e 150 mM, contendo cinco repetições e 10 plantas/tratamento. Após uma semana avaliou-se: eficiência quântica do fotossistema II, massa fresca e seca da parte aérea, comprimento e volume radicular, e área superficial das raízes. O desenvolvimento radicular e a eficiência quântica do fotossistema II não foram afetados negativamente sob estresse salino, sem diferenças estatísticas em relação ao controle. A matéria fresca apresentou redução nas concentrações de 100 mM (5,1 g) e 150 mM (4,4 g) comparadas ao controle (7,4 g), podendo ser relacionado à maior perda de água celular por osmose. Já a matéria seca foi 34,5% menor apenas a 150 mM comparada ao controle. Conclui- se que a espécie foi tolerante frente às concentrações salinas avaliadas, demonstrando potencial para novas pesquisas acerca da produção e quantificação de L-dopa.
Referência 1:LAMPARIELLO, L. R. et al. The magic velvet bean of Mucuna pruriens. Journal of Traditional and Complementary Medicine, v.2, p.331-339, 2012.
Referência 2:SINGH, A. Soil salinity: A global threat to sustainable development. Soil Use and Management, p.38-67, 2022