FINGERPRINTS ELEMENTARES EM MÉIS BRASILEIROS: ANÁLISE MULTIELEMENTAR POR ICP-MS PARA DIFERENCIAÇÃO ENTRE APIS MELLIFERA E ABELHAS SEM FERRÃO
Resumo:O mel é uma substância natural tradicionalmente produzida por Abelhas Apis mellifera a partir do néctar de plantas. Em regiões tropicais e subtropicais, as abelhas sem ferrão têm ganhado destaque devido ao seu sabor distintivo, maior teor de umidade e propriedades medicinais potenciais. As abelhas estão constantemente sujeitas ao contato com possíveis poluentes em suas áreas de forrageamento, tornando a análise multielementar do mel uma ferramenta fundamental para avaliação da segurança alimentar e caracterização de origem. A determinação de elementos traço e tóxicos através da espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado (ICP-MS), permite a criação de fingerprints elementares capazes de identificar sua origem e a diferenciar os tipos de mel. O objetivo deste estudo foi examinar 42 elementos químicos em amostras brasileiras de mel de Apis mellifera e abelhas sem ferrão utilizando ICP-MS. No total, 41 amostras de mel foram analisadas (36 de Apis mellifera e 5 de abelhas sem ferrão), seguindo protocolo validado para análise multielementar. As medições isotópicas, realizadas em ICP-MS, permitiram quantificar simultaneamente elementos essenciais e tóxicos. Os resultados apresentaram diferenças significativas nos fingerprints entre os méis das diferentes espécies. Entre os elementos tóxicos (Al, As, Pb, Sb e U), somente o arsênio apresentou níveis significativamente maiores em mel de abelhas sem ferrão (3,35±2,60 vs 2,03±1,81 ng/g). Entre os elementos essenciais (Cu, Zn, Mn, Se, Fe, Co e Mg), o zinco (2,361±0,94 vs 1,63±1,17 ug/g) e o cobalto (0,021±0,019 vs 0,0096±0,015 ug/g) apresentaram concentrações maiores em abelhas sem ferrão. Todos os resultados permaneceram dentro dos limites exigidos pela legislação. Os resultados confirmam o potencial da ICP-MS para distinguir méis de Apis mellifera e de abelhas sem ferrão, auxiliando no controle da qualidade, verificação da origem e valorização dos produtos apícolas brasileiros.
Referência 1:BATISTA, B. et al. Food Research International, 2012.
Referência 2:OROIAN, Mircea. et al. International Journal Of Food Properties, 2016.
Referência 3:ZALDIVAR-ORTEGA, Ana Karen. et al. Antioxidants, 2024.