PERFIL IONÔMICO DE CAFÉ VERDE PRODUZIDO NO BRASIL: DA COMPOSIÇÃO ELEMENTAR À IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM.
Resumo:O café, juntamente com o chá, é uma das bebidas mais consumidas e comercializadas no mundo, com significativa importância econômica global. O Brasil lidera mundialmente a produção e exportação de café, sendo responsável por mais de 30% do mercado global. A diversidade edafoclimática do país, especialmente em regiões produtoras como o sul de Minas Gerais, confere características únicas aos grãos, fortalecendo a identidade regional da bebida. Fatores ambientais, climáticos, genéticos e de processamento influenciam o perfil químico, a qualidade e o preço do café. Nesse contexto, a determinação da composição elementar dos grãos (perfil ionômico) surge como ferramenta promissora para rastreabilidade e autenticação da origem geográfica de cafés especiais, cuja produção segue protocolos padronizados, incluindo cultivo, seleção e preparo, e que se destacam por atributos sensoriais superiores e alto valor agregado. Este projeto propõe a caracterização do perfil elementar de amostras de café verde originárias de diferentes regiões brasileiras, por meio do emprego de técnicas analíticas de alta precisão, como digestão ácida assistida por micro-ondas e espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado (ICP-MS), associadas a métodos quimiométricos multivariados. Os dados obtidos serão tratados estatisticamente para construção de modelos preditivos robustos, visando a discriminação geográfica das amostras. Resultados preliminares esperados indicam que haverá variações significativas na concentração de elementos inorgânicos entre as regiões amostradas, refletindo diferenças ambientais e agronômicas. Espera-se identificar assinaturas elementares específicas para cada localidade e validar modelos estatísticos com alta acurácia preditiva. Conclusões preliminares apontam que a abordagem multielementar pode subsidiar estratégias de certificação de origem e valorização de cafés com identidade territorial, além de contribuir para o controle de qualidade e transparência na cadeia produtiva.
Referência 1:Caldeira, G. R. F. et al. J. Braz. Chem. Soc., 2024.
Referência 2:Candeias, D. N. C. et al. Food Chemistry, 2025.
Referência 3:Tieghi, H. et al. Food Research International, 2024.