| Resumo: | Segundo Oliveira (2018), os circuitos curtos representam formas de comercialização em que há ligação direta, ou quase direta, entre produtores e consumidores, geralmente com ausência ou presença mínima de intermediários. Esse modelo, como afirma o autor, promove uma lógica voltada para “a solidariedade, a sustentabilidade e a dinamização da economia local” (Oliveira, 2018, p. 75), em contraste com o modelo globalizado que prioriza o lucro. Ademais, os circuitos curtos possibilitam o estabelecimento de relações de confiança e reconexão, o “face to face”, que garantem o encontro entre o produtor e cliente, como ressaltam Dentz e Bender (2016). Por outro lado, os circuitos longos se caracterizam por diversas intermediações e maiores distâncias percorridas, em uma lógica “financeirizada e globalizada, onde o principal objetivo é a maximização do lucro” (Oliveira, 2018, p. 75). Nesse modelo, produtores locais tendem a ter menor ganho, enquanto consumidores enfrentam preços mais altos e impactos ambientais derivados do transporte. O objetivo desta pesquisa foi analisar, em Varginha-MG, três supermercados de diferentes portes, verificando a predominância de circuitos longos ou curtos. O mercado Pajeú, de menor escala, mostrou predominância relativa de produtos regionais, configurando-se em um circuito curto. O Bretas apresentou rede mista, com alguns fornecedores próximos, mas forte presença de produtos de longa distância. No Alvorada, os arrozes eram majoritariamente provenientes do sul, caracterizando um circuito longo, mas a maioria dos demais grãos tinha origem regional, aproximando-se de um circuito curto. Conclui-se que a cidade apresenta estrutura híbrida, com presença de circuitos longos, especialmente devido ao arroz, mas também com espaços para circuitos curtos. Para Oliveira (2018), os modelos não devem ser vistos como concorrentes, mas complementares, para coexistirem de forma equilibrada. Por fim, o fortalecimento de feiras e políticas públicas de incentivo ao consumo regional é essencial para reduzir impactos ambientais e valorizar a economia local.
|
| Referência 2: | OLIVEIRA, Émerson Dias de. O lugar da produção e consumo em circuitos curtos. Revista de Gestão e Organizações Cooperativas – RGC, Santa Maria, RS, v. 5, n. 10, p. 84–102, jul./dez. 2018. |