OBSERVATÓRIO DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA: GEOGRAFIA DAS EMOÇÕES NO AMBIENTE ESCOLAR
Resumo:Este resumo apresenta resultados de uma prática pedagógica realizada no âmbito do projeto de extensão “Observatório de Educação Inclusiva, Direitos Humanos e desenvolvimento profissional docente” e visou identificar as emoções experienciadas pelos estudantes em relação a espaços administrativos de uma escola estadual da região Sul mineira. Embasados nos princípios da educação inclusiva e da geografia humanista, destacamos que a inclusão é um processo amplo, que valoriza a diversidade e as relações humanas (AINSCOW, 2009). Complementarmente, Paro (2017) contribuiu com reflexões sobre a gestão democrática e o papel da direção escolar na construção de uma cultura inclusiva. A abordagem teórica foi enriquecida pela geografia humanista, especialmente pelos conceitos de topofilia e topofobia (TUAN, 1983) que permitem compreender como experiências vividas conferem significado aos espaços escolares. A prática pedagógica foi desenvolvida em outubro de 2024 com 47 estudantes do período noturno, incluindo turmas regulares e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Os dados foram coletados por meio de um instrumento visual, no qual os participantes coloriram um desenho representativo da estrutura física da escola, associando cores a emoções específicas (como alegria, medo, raiva, tristeza, ansiedade, vergonha e nojo) em diferentes espaços. Os resultados evidenciaram percepções predominantemente negativas em relação à sala da direção e à secretaria. Tanto na sala da direção (74%) quanto na secretaria (70%), os alunos associaram sentimentos como medo, ansiedade, raiva, tristeza ou vergonha. Essas percepções indicam a presença de barreiras emocionais e relacionais que dificultam a construção de um ambiente inclusivo e acolhedor. Conclui-se que a gestão escolar, especialmente a liderança da direção, desempenha papel central na transformação cultural necessária para promover inclusão efetiva. Recomenda-se avançar nas reflexões para identificar, coletivamente, as causas das percepções negativas e propor intervenções que ressignifiquem esses espaços, alinhando-os aos princípios democráticos, de equidade e de respeito à diversidade.
Referência 1:AINSCOW, M. Tornar a educação inclusiva: como essa tarefa deve ser conceituada? In: FÁVERO, O. et al. Tornar a educação inclusiva. Brasília: UNESCO, 2009, p. 11-24.
Referência 2:PARO, V. H. Gestão democrática da escola pública. Editora Cortez, 2017.
Referência 3:TUAN, Yi-Fu. Espaço e lugar: A perspectiva da experiência. São Paulo: Difel, 1983.