| Resumo: | Introdução: A violência em suas diversas formas de manifestações, contextos sociais e econômicos, muitas vezes, inicia-se no círculo familiar. Essa forma de violência também pode acometer trabalhadoras do setor de saúde, cuja atuação é centralizada na prevenção e no manejo de agravos, mas que, paradoxalmente, podem estar expostos a múltiplas formas de violência em suas próprias vidas. Objetivo: Estimar a prevalência de violência doméstica autorreferida entre profissionais da Atenção Primária à Saúde. Referencial Teórico: A violência doméstica é definida como qualquer ato de violência física, sexual, psicológica ou econômica cometido por parceiro íntimo, familiares ou pessoas do convívio próximo, constituindo um grave problema de saúde pública e uma violação dos direitos humanos, com repercussões duradouras para a saúde física e mental das vítimas. Material e métodos: O estudo foi do tipo descritivo com 116 profissionais de saúde da Atenção Primária em saúde, de um município do Sul de Minas Gerais, no ano de 2025. A gravidade do risco de exposição à violência entre as mulheres foi mensurada através da Escala FRIDA - Ferramenta de Risco Individual para Determinação do Acompanhamento. Para a análise dos dados foi verificada a distribuição da frequência das variáveis. Resultados: A principal categoria profissional entre os participantes foi agente comunitário de saúde (47,41%) e enfermeiro (10,34%). A maioria se autodeclara branca, cisgênero e heterossexual, mas há presença de profissionais negras (parda/preta: 32,76%) e de diversidade de gênero e orientação sexual. Dentre essas trabalhadoras da APS, 18,10% referiram sofrer ou já ter sofrido ameaça de violência doméstica. A violência psicológica e a física foram as mais comuns. Conclusão: A prevalência de relatos de violência doméstica entre trabalhadoras de saúde é preocupante. Os dados sugerem a necessidade de políticas intersetoriais de proteção às trabalhadoras da saúde em situação de violência.
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| Referência 1: | SARDINHA, Lynnmarie et al. Global, regional, and national prevalence estimates of physical or sexual, or both, intimate partner violence against women in 2018. The Lancet. Londres, v. 399, p. 803 – 81 |