| Resumo: | Resumo: A adaptação ecológica de fungos endofíticos aos tecidos internos das plantas fornece a eles maquinaria enzimática especializada para interagir com componentes do hospedeiro (Fernandes et al., 2009; Coertjens et al., 2025). Este estudo explora o potencial de fungos endofíticos de Coffea arabica para produzir lipases/esterases, pigmentos e metabólitos antimicrobianos, relacionando sua função ecológica com sua aplicação biotecnológica. Quarenta e cinco cepas foram isoladas de folhas coletadas em Alfenas – Campestre/MG, Brasil. A atividade lipolítica/esterase foi avaliada em meios sólidos com 1% de Tween® 20 e 80, incubados a 28°C por 7 dias. Seu potencial lipolítico, antimicrobiano e de produzir pigmentos qualitativamente foi avaliado. A atividade antimicrobiana foi avaliada por o método de ágar em bloco contra Staphylococcus aureus e Candida albicans pela medição das zonas de inibição (mm) após a incubação. Atividade lipolítica foi avaliada (76,7% dos isolados positivos com Tween® 20), sugerindo uma adaptação metabólica à cutícula lipídica da folha de café. Três cepas apresentaram capacidade superior a um índice enzimático (IE) maior que 4,0: CFP4F1B1 (IE=5,37), CFP4F3B2 (IE=4,81) e CFP4F3B1 (IE=4,50), evidenciando uma alta produção de lipases. Além disso, atividade antimicrobiana específica foi detectada: CFP1F3A inibiu S. aureus (16,9 mm ± 0,23) e CFP4F4A1 inibiu C. albicans (1,24 mm). Os fungos produziram pigmentos um 53,50% (verde, laranja, marrom). Essas funções metabolômicas — degradação lipídica, antagonismo microbiano e pigmentação — reflete uma estratégia ecológica integrada para colonização e defesa do hospedeiro. Os resultados posicionam esses endófitos como fontes promissoras de lipases industriais, antibióticos naturais e pigmentos, apoiados por sua coevolução com a planta. Este estudo destaca o valor da bioprospecção de endófitos para aplicações sustentáveis em biotecnologia.
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