| Resumo: | A malária, causada por espécies do gênero Plasmodium e transmitida por mosquitos Anopheles, permanece como um dos maiores desafios de saúde pública mundial, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. Em 2022, a Organização Mundial da Saúde registrou 249 milhões de casos e 608 mil óbitos, números que refletem não apenas a persistência da doença, mas também a crescente resistência aos principais fármacos disponíveis, como cloroquina e artemisinina (BASCO, 2023). Esse cenário ressalta a necessidade urgente de novos candidatos terapêuticos que combinem elevada eficácia e segurança. Nesse contexto, foi desenvolvida uma biblioteca inédita de 29 derivados glicosídicos do eugenol (DTC01–DTC29), com o objetivo de explorar e potencializar sua atividade antiparasitária. A avaliação in vitro da proliferação de Plasmodium falciparum demonstrou que o composto DTC08 apresentou efeito marcante, eliminando completamente os parasitas na concentração de 20 µM. O ensaio de dose-resposta revelou um IC₅₀ de 2,98 ± 0,42 µM, confirmando sua elevada potência frente ao agente etiológico.A citotoxicidade foi investigada em células humanas HUVEC, HepG2 e mononucleares de sangue periférico, resultando em CC₅₀ de 300 µM e índice de seletividade de 100,67, valor considerado altamente promissor para o desenvolvimento farmacológico (RODRIGUEZ et al., 2018). Esses achados evidenciam que o DTC08 alia forte atividade antimalárica em baixas concentrações a um perfil de segurança adequado, o que é fundamental em potenciais candidatos clínicos. Portanto, o DTC08 se consolida como uma molécula inovadora e promissora no combate à malária, reunindo características capazes de superar limitações associadas às terapias atuais. Como perspectivas futuras, destacam-se a investigação de seu efeito em combinação com antimaláricos de referência e sua atuação em gametócitos, etapa essencial para a interrupção da transmissão do parasita.
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