| Resumo: | A doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, é um sério problema de saúde pública nas Américas, frequentemente associado ao comprometimento da função muscular. O benznidazol (Bz), fármaco de referência, apresenta eficácia variável, especialmente frente a cepas parcialmente resistentes, como a cepa Y (MAZZETI et al., 2018). Nesse contexto, a análise histopatológica do músculo esquelético (ME) em modelos experimentais é uma ferramenta relevante para avaliar danos teciduais e a resposta ao tratamento com Bz. Camundongos fêmeas-C57BL/6 foram infectados por via intraperitoneal com 2000 tripomastigotas-cepa Y de T. cruzi e divididos em três grupos (n=5): não infectados e não tratados (UN), infectados e não tratados (INF) e infectados tratados com Bz (100 mg/kg). Após 15 dias, os animais foram eutanasiados, e fragmentos de ME foram histologicamente analisados (CEUA-013/201-600) (VILAS-BOAS et al., 2022). O grupo UN apresentou morfologia típica, com fibras musculares organizadas, tecido conjuntivo escasso e baixa celularidade intersticial. O grupo INF mostrou acentuada desorganização das fibras, infiltrado celular difuso, inflamação intensa, expansão do tecido conjuntivo e ninhos de amastigotas. Já o grupo Bz preservou a arquitetura tecidual próxima as características de UN. Embora necessária ao controle parasitário, essa resposta contribui para o dano tecidual. O tratamento com Bz atenuou essas alterações, preservando a integridade do tecido muscular e reduzindo a inflamação, reforçando sua eficácia na prevenção de lesões na fase aguda da doença de Chagas. Concluiu-se que a histopatologia do ME é um bom parâmetro para caracterizar o impacto da infecção por T. cruzi, e que o benznidazol atenuou a inflamação, preservando a organização tecidual.
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