| Resumo: | A bioprospecção de frutos amazônicos representa uma estratégia promissora para encontrar
compostos bioativos com potencial terapêutico. O mapati (Pourouma cecropiifolia), fruta endêmica da
Amazônia, apresenta elevado teor de fenólicos em seus subprodutos, porém seus efeitos biológicos
permanecem pouco descritos (Miranda et al., 2024). Considerando a necessidade de alternativas contra
cepas resistentes de Plasmodium falciparum, este estudo avaliou o potencial antiplasmodial dos extratos
hidroetanólicos da casca e da semente de mapati.A caracterização química foi realizada por HPLC-DAD,
identificando ácidos fenólicos nos extratos da semente e quercetina e seus derivados na casca. As cepas
3D7 (sensível à cloroquina) e W2 (resistente) de Plasmodium falciparum foram expostas aos extratos por
48h, e o crescimento parasitário foi quantificado por fluorescência com SYBR Gold, evidenciando
atividade antimalárica dos extratos da casca (IC₅₀ = 37,1 µg GAE/mL para W2 e IC₅₀ = 31,7 µg GAE/mL
para 3D7) e da semente (IC₅₀ = 18,0 µg GAE/mL para W2 e IC₅₀ = 34,5 µg GAE/mL para 3D7). O
desenvolvimento do parasita foi avaliado em diferentes intervalos (0, 6h, 8h, 24h e 48h) usando
microscopia e esfregaços corados rapidamente por panóptico, demostrando que não houve diferenças
observáveis no desenvolvimento dos parasitos, evidenciando que os extratos de casca e semente são
eficazes independentemente do estágio intraeritrocitário em que são utilizados. Ensaios de combinação
com artesunato demonstraram efeito de potenciação, reduzindo em 85% o IC₅₀ contra a cepa 3D7 e em
38% contra a cepa W2. Em conjunto, esses resultados destacam relevância de polifenóis como adjuvantes
promissores no combate da malária e no desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas.
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| Referência 1: | MIRANDA, Cynthia Tereza Corrêa da Silva et al. Unconventional edible plants of the Amazon: bioactive
compounds, health benefits, challenges, and future trends. Foods, v. 13, n. 18, p. 2925, 2024. |