| Resumo: | Os elementos de terras raras (ETRs) são estratégicos para a transição energética. Contudo, sua mineração gera grandes volumes de rejeitos, cuja realocação inadequada representa riscos ambientais. Este projeto investigou a viabilidade de aproveitamento dos rejeitos de ETRs do Complexo Alcalino de Poços de Caldas (MG) na indústria cerâmica, avaliando suas propriedades físico-químicas. Foram coletadas amostras em oito horizontes de uma trincheira, preparadas por secagem (105 °C/24 h), destorroamento e homogeneização. Realizaram-se análises de umidade e ensaio de Capacidade de Troca Catiônica (CTC) pelo método do Azul de Metileno. Os resultados indicaram elevada umidade (31,5–49,6%, média 41,8%), revelando alta capacidade de retenção hídrica, característica relevante para a plasticidade de massas cerâmicas, embora demande maior energia na etapa de secagem. Os valores médios de CTC variaram entre 71,5 e 139,5 mEq/L, situando parte das amostras em faixas favoráveis para plasticidade e trabalhabilidade, enquanto outras apresentaram potenciais riscos de retração ou baixa coesão. Conclui-se que os rejeitos apresentam potencial de uso como matéria-prima cerâmica, desde que submetidos a etapas de secagem controlada, mistura de horizontes e homogeneização granulométrica. O estudo reforça a importância da valorização de rejeitos minerais como alternativa sustentável para reduzir passivos ambientais e agregar valor à cadeia produtiva de ETRs.
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