| Resumo: | Este projeto investiga o processo de folclorização dos saberes e cosmologias dos povos
indígenas no contexto da colonização da América portuguesa, no século XVI. A religião, mediada
sobretudo pela ação dos jesuítas, operou como um dispositivo de dominação, classificando práticas
indígenas como superstição ou mito e deslocando-as para o campo do folclórico. A partir da análise das
cartas de Manuel da Nóbrega, busca -se compreender como os discursos coloniais atuaram na
deslegitimação desses saberes e na construção de hierarquias entre o sagrado e o profano. Os objetivos
do estudo incluem investigar as representações jesuíticas sobre práticas indígenas, discutir o conceito de
folclorização como estratégia de deslegitimação epistemológica, compreender o mito como uma forma
de conhecimento que estrutura práticas e visões de mundo e identificar sinais de resistência e reinvenção
dos saberes indígenas diante da catequese e da colonização. A metodologia envolve a análise crítica das
cartas de Nóbrega, em diálogo com bibliografia especializada, por meio de leitura hermenêutica das
fontes, buscando compreender as representações dos saberes indígenas e os processos de folclorização,
dominação e resistência. O referencial teórico apoia -se nos estudos de Serge Gruzinski (2003), cuja noção
de colonização do imaginário permite compreender como os discursos religiosos atuaram na
reorganização dos saberes indígenas e Hélène Clastres (1978), que oferece suporte para pensar a
densidade e a resistência presente nas cosmologias tupi-guarani. Espera-se, com isso, compreender como
os discursos religiosos atuaram na folclorização dos saberes indígenas, identificar representações
coloniais do sagrado e profano nas cartas de Nóbrega e evidenciar formas de resistência e reapropriação
por parte dos povos originários.
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