| Resumo: | A farmacovigilância é um pilar estratégico para a segurança do paciente, permitindo a identificação, o monitoramento e a análise de reações adversas a medicamentos (RAMs). Embora amplamente consolidada na prática farmacêutica, sua aplicação na odontologia ainda é limitada, sobretudo considerando o uso frequente de analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos.
Este estudo avaliou a percepção e a prática de farmacovigilância entre cirurgiões-dentistas da Atenção Primária à Saúde no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de uma capacitação conduzida por membros do Centro de Farmacovigilância da UNIFAL (CEFAL). Foram aplicados questionários estruturados antes e após o treinamento, contemplando conceitos teóricos e práticos relacionados à farmacovigilância.
A amostra foi composta por 12 profissionais, majoritariamente mulheres (72,7%), com idade entre 30 e 60 anos, tempo de formação variando de 6 a mais de 20 anos e predominância de especialistas (81,8%). Antes do treinamento, nenhum participante alcançou nível satisfatório de compreensão (>75%). Após a capacitação, observou-se melhora significativa no entendimento sobre quem pode notificar (97,3%) e sobre o conceito de evento adverso (70,1%). Entretanto, lacunas persistiram em áreas críticas, como reações adversas (52,5%), erros de medicação (47,3%) e desvios de qualidade (54,8%).
Além disso, 67,3% dos participantes reconheceram a relação entre farmacovigilância e segurança de medicamentos, e 66,7% identificaram corretamente as etapas do processo assistencial nas quais podem ocorrer erros de medicação. A maioria considerou a farmacovigilância importante na odontologia e defendeu sua inclusão no currículo de graduação.
Os resultados evidenciam fragilidades conceituais e práticas, bem como barreiras estruturais e lacunas na formação acadêmica. Conclui-se que a integração da farmacovigilância à prática odontológica, com apoio do CEFAL, é essencial para a segurança do paciente, a qualidade da atenção à saúde e o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao uso racional de medicamentos no âmbito do SUS.
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