| Resumo: | O uso crescente de nanomateriais na indústria e em produtos de consumo tem gerado preocupações
quanto à sua liberação no ambiente aquático e possíveis impactos à biota. Entre eles, os nanotubos de
carbono de paredes múltiplas (MWCNTs) destacam-se por propriedades como alta resistência mecânica
e condutividade, mas também pelo potencial efeito ecotoxicológico. No ambiente aquático, podem
permanecer em suspensão, interagir com matéria orgânica dissolvida e atingir diferentes níveis tróficos.
Este trabalho teve como objetivo avaliar a toxicidade de MWCNTs em dois organismos bioindicadores:
a microalga Raphidocelis subcapitata e o microcrustáceo Ceriodaphnia silvestrii. Os MWCNTs,
sintetizados em laboratório, foram aplicados em ensaios ecotoxicológicos seguindo protocolos
padronizados (ABNT, 2022). Para a R. subcapitata, avaliou-se o crescimento normal sob condições de
temperatura (27°C ± 1), luz (≈ 4.500 lux) e fotoperíodo (12h/12h claro/escuro) para, posteriormente,
avaliar seu comportamento agudo e crônico perante a exposição aos MWCNTs. Para C. silvestrii, foi
conduzido teste de toxicidade aguda, expondo os organismos a concentrações de 5, 10, 20, 30, 40, 50 e
60 mg/mL de MWCNTs solubilizados em água reconstituída e mais um controle (água reconstituída),
por 48h, no escuro a temperatura de 25°C ± 1. Os resultados demonstraram uma mortalidade de 100%
dos organismos, em todas as diluições. Observou-se, ao final desse teste, a decantação da amostra durante
o período do experimento. A partir dessa observação, realizou-se um novo ensaio com as partículas
sedimentadas, obtendo cerca de 60% de sobrevivência após 48h. Isso sugere que o contato direto é
determinante para a toxicidade observada e que os efeitos não decorreram necessariamente de toxicidade
química da nanopartícula, mas da suspensão das partículas na coluna d’água, prejudicando a filtração
desses organismos. Os resultados obtidos poderão contribuir para a compreensão dos riscos ambientais
associados aos MWCNTs e orientar estratégias de monitoramento e regulamentação para a proteção de
ecossistemas aquáticos.
|