| Resumo: | Este relato de experiência, fundamentado na experiência do PIBID da Unifal- MG. Se sustenta teoricamente em autores como Pierre Bourdieu (2007) e Anna Maria Pessoa de Carvalho (2012), apresenta a experiência pibidiana de ensino de sociologia na única escola de ensino médio do município de Serrania (MG), Sul de Minas Gerais. A metodologia baseou-se na observação em sala de aula e na análise dos conhecimentos prévios dos alunos, buscando compreender como eles relacionam o conteúdo abordado. O objetivo central foi examinar a discrepância entre o plano de ensino determinado pelo estado de Minas Gerais, elaborado em um contexto urbano, e a realidade sociocultural local. A cidade de Serrania tem uma história profundamente ligada à agricultura, e muitos estudantes são filhos de agricultores de subsistência ou de trabalhadores que venderam suas as terras para a elite agrária. Observou-se que a aplicação mecânica do currículo, sem adaptação à realidade local, resulta em um cientificismo vazio e em uma educação bancária (Paulo Freire), onde o conhecimento é apenas transmitido, não construído. Isso evidencia uma potencial proletarização docente, com pouco compromisso com o desenvolvimento do senso crítico discente. Conclui-se que o professor deve exercer sua autonomia para além da preparação de aulas, comprometendo-se com a reflexão ética e moral, mas sobretudo com o criticismo acerca da realidade social. O papel do docente é ressignificar o conteúdo, tornando-o relevante para a vivência dos alunos, promovendo conhecimentos humanizados e construídos coletivamente, para além do currículo preestabelecido. Embora não haja uma solução absoluta aos obstáculos apresentados do ensino de ciências sociais nesta escola, o trabalho feito para uma ressignificação deste currículo é gradual e contínua.
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