UMA ABORDAGEM ALTERNATIVA À EXPERIMENTAÇÃO ANIMAL: O PAPEL DA TOXICOLOGIA COMPUTACIONAL NA AVALIAÇÃO DO RISCO AOS AGROTÓXICOS
Resumo:A Toxicologia contemporânea tem evoluído significativamente na compreensão das interações entre xenobióticos e organismos vivos, visando reduzir os riscos à saúde com o uso de Novas Abordagens Metodológicas (NAMs). Nesse contexto, a Toxicologia Computacional, que envolve ferramentas como as Relações Quantitativas Estrutura-Atividade (QSAR), modelagem molecular e algoritmos de aprendizado de máquina, ganhou destaque, impulsionada pelo programa Toxicology in the 21st Century (Tox21). Desenvolvido por agências norte-americanas como EPA, NIH e FDA, o Tox21 propõe a transição de modelos tradicionais baseados em animais para abordagens preditivas in vitro e in silico, que integram dados para identificar vias moleculares afetadas por tóxicos. Essa abordagem já possibilita sua aplicação no contexto regulatório, inclusive no Brasil, para a avaliação de risco de medicamentos e agrotóxicos. Em consonância com o princípio dos 3R’s (Refinamento, Redução e Substituição do uso de animais em experimentação), o Laboratório de Análise de Toxicantes e Fármacos (LATF) conduz pesquisas que conectam dados de biomonitoramento da exposição ocupacional e ambiental com as predições da Toxicologia Computacional, utilizando a ferramenta Integrated Chemical Environment (ICE). Até o momento, os resultados preditivos para fungicidas triazóis (ex: propiconazol e clorpirifós) evidenciaram uma resposta celular relacionada ao estresse oxidativo como principal mecanismo de toxicidade através da filtragem pelo Mechanistic Target do ICE. Esses dados in silico são diretamente corroborados pela análise de amostras biológicas de agricultores da região de Alfenas-MG, que revelaram um aumento no biomarcador de peroxidação lipídica, o malondialdeído (MDA). Esses achados promissores demonstram que a abordagem computacional é uma importante aliada na avaliação de risco de substâncias químicas como os agrotóxicos, aprimorando e agilizando os ensaios de toxicidade para subsidiar a tomada de decisão regulatória para a proteção da saúde dos trabalhadores.
Referência 1:BRASIL. ANVISA. Resolução RDC n. 294, de 29 de julho de 2019. Dispõe sobre critérios de avaliação e classificação toxicológica de agrotóxicos. Diário Oficial da União , Brasília, 31 jul. 2019.