TELEESTOMATOLOGIA NO DIAGNÓSTICO DE PARACOCCIDIOIDOMICOSE E REINTEGRAÇÃO SOCIAL DE PACIENTE EM SITUAÇÃO DE RUA
Resumo:As doenças infecciosas de apresentação oral constituem um desafio diagnóstico, sobretudo em populações vulneráveis, nas quais a dificuldade de acesso aos serviços de saúde agrava o quadro clínico e atrasa o início do tratamento. Nesse contexto, a Teleodontologia surge como uma ferramenta estratégica e eficaz para a triagem e detecção precoce de lesões bucais em regiões de difícil acesso e em grupos socialmente vulneráveis. O presente trabalho descreve o caso de um paciente melanoderma, 47 anos, em situação de rua, encaminhado à Clínica de Estomatologia da Universidade Federal de Alfenas por meio do aplicativo TeleEstomatologia, após envio de imagens clínicas que evidenciavam lesão exuberante em lábio inferior. No exame clínico, observou-se lesão exofítica e ulcerada comprometendo toda a semimucosa labial inferior, associada a lesão no dorso nasal. Intraoralmente, identificaram-se ulcerações múltiplas com pontos purpúreos em gengiva inferior e palato. As hipóteses diagnósticas iniciais incluíram paracoccidioidomicose e leishmaniose. A biópsia incisional revelou fragmento de mucosa bucal revestido por epitélio pavimentoso paraqueratinizado com crescimento pseudoepiteliomatoso, focos de microabscessos, exocitose leucocitária, além de infiltrado inflamatório mononuclear intenso no tecido conjuntivo, células gigantes multinucleadas e estruturas birrefringentes compatíveis com Paracoccidioides brasiliensis. Com base nesses achados, estabeleceu-se o diagnóstico definitivo de paracoccidioidomicose. O paciente foi encaminhado ao infectologista, que instituiu tratamento antifúngico sistêmico, evoluindo com regressão das lesões e melhora clínica significativa. Além disso, o caso ilustra a importância da atenção integral em saúde, visto que o paciente recebeu suporte adicional para cessação do alcoolismo e reintegração social. Este relato evidencia a relevância da Teleodontologia como recurso de apoio diagnóstico para lesões orais graves e reforça sua contribuição para a promoção da equidade em saúde, especialmente em populações em situação de vulnerabilidade social.
Referência 1:Neville BW, Damm DD, Allen CM, Chi AC. Patologia oral e maxilofacial. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
Referência 2:Antoun MP, Silva EF, Costa T, et al. Teleodontologia como ferramenta para triagem de lesões bucais em populações vulneráveis. Rev ABENO. 2021;21(2):1-10.
Referência 3:Shikanai-Yasuda MA, Mendes RP, Colombo AL, et al. Brazilian guidelines for the clinical management of paracoccidioidomycosis. Rev Soc Bras Med Trop. 2017;50(5):715-740.