AVALIAÇÃO DA SENSIBILIDADE DE CÉLULAS PLANCTÔNICAS E BIOFILMES DE CANDIDA ALBICANS QUANDO EM CONTATO COM LACTOBACILLUS REUTERI
Resumo:Resumo: Candida albicans é um fungo oportunista que compõe a microbiota humana, mas pode ocasionar quadros de candidíase quando há desequilíbrio no ambiente do hospedeiro (RODRIGUES; MEZZARI; FUENTEFRIA, 2011). Por outro lado, espécies do gênero Lactobacillus, como Lactobacillus reuteri, são associadas a benefícios à saúde, incluindo a produção de metabólitos com ação antimicrobiana (ZANGL et al., 2019). O presente estudo buscou avaliar, in vitro, o efeito antifúngico de L. reuteri sobre células planctônicas e, posteriormente, sobre biofilmes de C. albicans. Materiais e Métodos: A interação foi conduzida em meio RPMI, com C. albicans inicialmente a 10⁷ UFC/mL, e suplementado com L. reuteri nas concentrações de 10⁵, 10⁶ e 10⁷ UFC/mL. As culturas foram incubadas a 37 °C por 48 horas, e a contagem das células fúngicas em fase livre foi realizada em câmara de Neubauer. Para os ensaios com biofilme, as estruturas foram formadas em placas de poliestireno de 96 poços e, após 1h30 de incubação, receberam tratamento com fluconazol e L. reuteri. A biomassa e a atividade metabólica foram avaliadas por espectrofotometria a 595 e 570nm. Resultados e Discussão: Observou-se redução significativa da densidade celular de C. albicans em todos os grupos contendo L. reuteri, em comparação ao controle. As porcentagens de células viáveis foram de 13,9%, 14% e 3,5% para 10⁵, 10⁶ e 10⁷ UFC/mL, respectivamente, sugerindo resposta dose-dependente, com maior efeito na concentração mais elevada. Em contrapartida, nos ensaios com biofilme, não houve diminuição expressiva da biomassa ou da atividade metabólica quando associadas a diferentes concentrações de fluconazol e L. reuteri. Conclusão: Os resultados indicam que L. reuteri apresenta ação antifúngica relevante contra células planctônicas de C. albicans, especialmente na concentração de 10⁷ UFC/mL. Contudo, nos biofilmes, observou-se indício de proteção estrutural da associação dos dois microrganismos, sugerindo menor sensibilidade à ação do fármaco.
Referência 1:RODRIGUES, Daniela; MEZZARI, Adelina; FUENTEFRIA, Alexandre Meneghello. Candidúria: revisão atual. Revista Brasileira em Promoção da Saúde, v. 24, n. 2, p. 142–150, 2011.
Referência 2:ZANG, I., PAP, I. J., ASPÖCK, C., & SCHULLER, C. The role of Lactobacillus species in the control of Candida via biotrophic interactions. Microbial cell (Graz, Austria), v. 7, n. 1, p. 1 14, 2019.