| Resumo: | A pesquisa pretende explicitar o processo de entrada colonialista de Portugal na Lunda, atual
nordeste de Angola, entre os anos de 1884 e 1888 por meio da análise da obra Memória. A Lunda ou os
Estados do Muatiânvua - domínios da soberania de Portugal (1890), produzida durante a Expedição
Portugueza ao Muatiânvua pelo major português Henrique Augusto Dias de Carvalho. Por se tratar de
uma fonte diretamente ligada ao processo colonial, a análise da obra foi norteada pela leitura dos
interstícios (Ribeiro, 2013) e de um conjunto bibliográfico diversificado, tendo em vista os diferentes
níveis de discurso dos agentes colonialistas (Pratt, 1999) e o conhecimento histórico implícito ligado à
cosmopercepção das populações desta região da África Central. Além disso, a composição robusta do
espólio documental produzido pelo major, que integra 48 cartas endereçadas ao Ministro dos Negócios
da Marinha e do Ultramar, 2 autorizações, 11 autos, 6 tratados, 6 termos, 2 ofícios e 7 nomeações de
agentes administrativos, fez com que fosse necessário realizar um estudo mais amplo dos conteúdos
apresentados. Por isso, buscamos produzir uma planilha em que fosse possível mapear os diferentes
assuntos abordados pelo expedicionário em cada documento da obra. Desse modo, tornou-se possível
identificar que a produção de Henrique de Carvalho integra um contexto histórico em que os debates
científicos sobre as políticas colonialistas e o futuro dos territórios africanos emergem na imprensa de
Lisboa.
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