DESENVOLVIMENTO DE PROTÓTIPO USANDO LÃ DE PET COMO ADSORVENTE NA REMOÇÃO DE MICROPLÁSTICOS EM CORPOS HHÍDRICOS: ESTUDOS PRELIMINARES PARA TECNOLOGIA SOCIAL
Resumo:Introdução: A poluição por microplásticos em ambientes aquáticos constitui um dos desafios ambientais mais críticos da atualidade, devido à persistência dessas partículas e aos impactos ecológicos e à saúde humana [1]. O termo microplástico, proposto por Thompson, refere-se a fragmentos plásticos menores que 5 mm, amplamente detectados em ecossistemas marinhos. Referencial teórico: O poli(tereftalato de etileno) (PET), polímero de condensação obtido a partir de ácido tereftálico (TPA) e etilenoglicol (EG), ou por transesterificação de dimetil tereftalato (DMT) com EG, combina leveza, transparência, resistência química e estabilidade física, propriedades que favorecem processos de adsorção [2]. A reutilização da lã de PET reciclada alinha-se aos princípios da economia circular, promovendo soluções sustentáveis para a mitigação de poluentes. Material e métodos: O material plástico residual, previamente triturado, foi fornecido por uma empresa de recicláveis e separado em granulometrias de 75, 106 e 212 µm por peneiramento em malhas de Tyler. A lã de PET, adquirida como isolante acústico, foi utilizada para preencher duas colunas de adsorção: uma de 5 mL, operada a 5 mL/min, e outra de 100 mL, a 10mL/min. Foram testados microplásticos de diferentes tamanhos nas duas colunas, na primeira coluna (5mL), foram percoladas soluções de microplásticos com granulometrias de 75 e 106 µm, na segunda coluna (100mL) foram percoladas as de 75, 106 e 212 µm. Amostras pré e pós-adsorção foram analisadas qualitativamente por estereomicroscopia e quantitativamente por Análise de Rastreamento de Nanopartículas (NTA) no sistema ZetaView. Resultados e discussão: As análises indicaram elevada retenção de microplásticos, com remoção próxima a 90%, confirmando a eficiência da lã de PET como adsorvente e seu potencial aplicável a processos de remediação de corpos hídricos. Conclusão: A lã de PET reciclada demonstrou viabilidade técnica e sustentabilidade para a mitigação de microplásticos, podendo ser otimizada para aplicações em larga escala, embora a remoção total em ambientes naturais permaneça complexa [3].
Referência 1:THOMPSON, R. C. et al. Lost at Sea: Where Is All the Plastic? Science, v. 304, n. 5672, p. 838, 2004.
Referência 2:ROBERT, M. et al. A review of microplastic removal technologies in wastewater treatment plants. Environmental Science and Pollution Research, v. 29, n. 3, p. 3365-3382, 2022
Referência 3:ROMÃO, W. et al. Poli(tereftalato de etileno) (PET): um material multifuncional. Química Nova, v. 32, n. 6, p. 1651-1659, 2009