| Resumo: | A desigualdade no acesso à educação superior é um dos maiores desafios enfrentados pelo Brasil, especialmente para jovens de famílias de baixa renda e com responsabilidades parentais. Os cursinhos populares, iniciativas comunitárias e de baixo custo, surgem como alternativas para a democratização do ensino superior, especialmente para aqueles em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Este estudo tem como objetivo analisar como as redes de apoio familiar e escolar influenciam a permanência de pais e mães em cursinhos populares, com ênfase no cursinho da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL/MG), espaço que busca facilitar o ingresso ao ensino superior. A literatura aponta que o apoio familiar e institucional são fundamentais para a continuidade acadêmica de estudantes que conciliam a vida acadêmica com o cuidado dos filhos, com destaque para o apoio financeiro e emocional (CUNHA; SILVA, 2019; PAIVA; ANDRADE, 2020, COSTA, 2023). A pesquisa, de caráter qualitativo e quantitativo, foi realizada com 11 participantes, sendo 90,9% mulheres e 9,1% homens, com idades predominantes entre 17 e 22 anos. Observou-se que 63% dos participantes eram pais ou mães, revelando as dificuldades de conciliar a paternidade/maternidade com os estudos. Além disso, 100% dos participantes relataram receber apoio do genitor, enquanto 66% contavam com suporte financeiro e emocional dos pais e 66% recebiam auxílio governamental, o que ajuda a reduzir as barreiras para a permanência. Os resultados confirmam a importância das redes de apoio familiar e das políticas públicas na permanência desses estudantes. Conclui-se que a ampliação de políticas públicas e práticas comunitárias que fortaleçam essas redes é essencial para garantir maior equidade e inclusão social, favorecendo a continuidade acadêmica de pais e mães em cursinhos populares, como evidenciado no caso da UNIFAL/MG (CUNHA; SILVA, 2019; PAIVA; ANDRADE, 2020, LIMA, 2021).
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