ANÁLISE DA PREVALÊNCIA DE LESÕES BUCAIS RELACIONADAS À ANSIEDADE EM ACADÊMICOS DA UNIFAL-MG
Resumo:A ansiedade é uma sensação de medo que ocorre em situações estressantes e assustadoras, sendo uma alteração normal frente a essas situações, entretanto, quando persistente, ela pode ser considerada um transtorno (LOPES, 2021). Além de afetar o estado comportamental do indivíduo, ela ainda pode estar relacionada a diversas alterações bucais, como a síndrome da dor miofascial, estomatite aftosa recorrente (EAR), o líquen plano oral, a xerostomia, o transtorno da ardência bucal, o briquismo (ranger ou apertar dos dentes durante o dia) e bruxismo (ranger ou apertar dos dentes durante a noite), mucocele oral, herpes simples recidivante (HS), morsicatio buccarum (MB -mastigação crônica da bochecha) e gengivite ulcerativa necrosante (MACEDO,2023; PORRAS, 2022). Neste contexto, o presente projeto visou analisar a prevalência dessas lesões relacionadas à ansiedade em estudantes da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG). Para isso, foram utilizados questionários padronizados (Inventário de Ansiedade de Beck), que permitiram a avaliação dos níveis de ansiedade apresentados pelos estudantes. Adicionalmente, um exame bucal foi realizado para detecção de possíveis lesões bucais na clínica de Estomatologia da UNIFAL-MG. Participaram deste estudo 75 estudantes e dentre eles 36 aceitaram participar do exame bucal. Os resultados demonstraram que a maioria (72,2%) era composta por estudantes do curso de Odontologia com idade média de 24,9 ± 2,80 anos e cursava o quinto período. Observou-se um predomínio de discentes do sexo feminino 84,6% e apenas 5,6% dos participantes relataram fazer uso de tabaco. O grau de ansiedade mais frequente foi o considerado leve (44,4%), seguido pelo moderado (36,1%) e grave (9,4%). Quanto ao uso de medicação, 47,2% dos estudantes relataram utilizá-las. Entre os alunos com ansiedade leve, metade (50%) fazia uso de medicamentos. Já entre aqueles com ansiedade moderada e grave, a maioria relatou utilizar medicação, correspondendo a 69,2% e 71,4%, respectivamente. Entre as alterações bucais associadas à ansiedade, o bruxismo foi a mais prevalente (25,0%), seguido por MB com 19,4%, HS(8,3%), EAR com 5,6%, além de casos de xerostomia e briquismo, ambos com prevalência de 11,1%. Entre os acadêmicos com ansiedade leve, 62,5% não apresentaram alterações bucais, enquanto 25,0% tiveram uma alteração (bruxismo ou MB) e 12,5% apresentaram duas alterações (combinações de bruxismo, mordedura de bochecha ou herpes simples). No grupo com ansiedade moderada, 38,5% não apresentaram alterações bucais, 23,1% apresentaram uma alteração (briquismo ou HS) e 38,5% apresentaram duas alterações, incluindo combinações como bruxismo e xerostomia, EAR e MB. Já entre os acadêmicos com ansiedade grave, 42,9% não apresentaram alterações bucais, 14,3% tiveram uma alteração (EAR), 28,6% apresentaram duas alterações combinadas (como bruxismo e xerostomia ou briquismo) e 14,3% apresentaram três alterações (bruxismo, MB e xerostomia). Dessa forma, a elevada prevalência de ansiedade entre os acadêmicos evidencia a urgência na implementação de estratégias eficazes para sua redução, o que, consequentemente, refletirá positivamente na promoção da saúde bucal.
Referência 1:MACEDO, A; PASSOS,. Reflexos dos Transtornos de Ansiedade e Depressão na Cavidade Oral: Uma Análise dos Últimos Anos na População Brasileira. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educaçã
Referência 2:LOPES, A. et al. Transtorno de ansiedade generalizada: uma revisão narrativa. Revista Eletrônica Acervo Científico, v. 35, p.e8773, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.25248/reac.e8773.2021.