| Resumo: | O emprego de músicas como recurso didático nas Ciências Humanas favorece a construção de significados sobre diversos temas do cotidiano, articulados a sequência didática que mescla escuta ativa, análise textual e confrontação com fontes, como as cartográficas e socioeconômicas, especialmente para o ensino de Geografia. (Fuini et al. 2012, p. 206) ressalta que letras e melodias ampliam a recepção discente e facultam a aproximação entre experiência cotidiana e categorias analíticas, desde que mediadas pedagogicamente pelo professor. No contexto das aulas de Geografia sobre o Sistema Fundiário Brasileiro, ao comparar “O Agro Malvadão” (Adson & Alana) — cuja letra e enunciado celebram práticas e discursos do agronegócio — com “A Grande Esperança” (composição atribuída a Goiá e Francisco Lázaro; interpretações históricas por Zilo & Zalo) — que denuncia as mazelas rurais e reivindica a reforma agrária — evidencia-se como repertórios musicais produzem narrativas concorrentes sobre terra e trabalho. Houve um deslocamento do sertanejo: a mercantilização da indústria fonográfica, a ampliação do público urbano e a co-optação simbólica por interesses do agronegócio contribuíram para que parte do repertório perdesse a vinculação às pautas camponesas, reduzindo a presença de vozes reivindicativas nas narrativas contemporâneas. No âmbito do ensino de Sociologia e de História, nas reflexões sobre desigualdade social, racismo estrutural, violência contra a mulher, história do Brasil e povos marginalizados, músicas como “Xibom Bombom” (interpretada pelo grupo As Meninas), “A Carne” (interpretada por Elza Soares), “Pandeiro É Meu Nome” (interpretada por Alcione), “Maria da Penha” (interpretada por Alcione), “História Para Ninar Gente Grande” e “A Verdade Vos Fará Livre” (interpretadas por Marquinho Art’Samba) cumprem um papel de denúncia e expõem realidades históricas, transformando-se em poderosas ferramentas de ensino (SOARES, 2017), conscientização e crítica social. Esse quadro reforça a necessidade de práticas de alfabetização midiática no ensino, para que a música seja instrumento crítico e investigativo, não mera ilustração.
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| Referência 1: | FUINI, Lucas Labigalini; SANTOS, Juliana Lopes dos; DAMIÃO, Camilla Andréa; OLIVEIRA, Patrícia de; RIOS, Gabriel. A música como instrumento para o ensino de geografia e seus conceitos fundamentais: pensando em propostas para o trabalho em sala de aula. Para Onde!?, Porto Alegre, v. 6, n. 2, p. 206–216, 2012. DOI: 10.22456/1982-0003.36498. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/paraonde/article/view/36498. Acesso em: 29 ago. 2025. |