| Resumo: | Este trabalho apresenta reflexões acerca de uma oficina de pigmentos naturais desenvolvida
com alunos do 7º e 8º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Padre José Grimminck
(Alfenas/MG). A idealização da oficina, que contou com a participação dos bolsistas do PIBID
Ciências Biológicas no seu planejamento e na sua execução, partiu do objetivo de desenvolver uma
prática interdisciplinar e contextualizada, envolvendo educação ambiental, com o conteúdo curricular
de ciências e a exploração artística, cumprindo com a interdisciplinaridade descrita nas Diretrizes
Curriculares Nacionais do Ensino Básico (Brasil, 2013). A cor tem sido utilizada desde os tempos
pré-históricos por meio do solo, minerais e plantas. Atualmente existem cerca de 100.000 corantes
sintéticos, empregados especialmente pela indústria têxtil. A produção e uso desses corantes
contribuem para a poluição ambiental, sobretudo em ambientes aquáticos, devido aos componentes
tóxicos que alteram parâmetros físico-químicos e biológicos, acentuam a eutrofização e prejudicam a
fotossíntese (Pessoa Júnior; Azevedo, 2024). Contextualizar essa problemática com a realidade dos
educandos é um desafio, por isso a temática dos corantes foi abordada através de reflexão comparativa
entre os naturais e industrializados (Schollmeier et al., 2019). No primeiro momento da oficina, por
meio de exposição teórica, discutiu-se como a humanidade extraía cores da natureza (minerais, plantas,
pigmentos alimentares como carotenoides, antocianinas e clorofilas) e sua importância cultural e
histórica, como nas pinturas rupestres e artes corporais indígenas. A aula foi encerrada abordando os
impactos ambientais decorrentes da utilização de corantes sintéticos. Na segunda vivência, os alunos
exploraram pigmentos naturais em desenhos de livre escolha, utilizando cúrcuma, urucum, beterraba e
argilas. A oficina permitiu reconhecer diferentes interações dos alunos, que se mostraram
participativos, curiosos e engajados. Relacionar arte e ciências possibilitou explorar o conteúdo
curricular sob novas perspectivas, promovendo reflexões sobre a relação entre ser humano e meio
ambiente. Dessa forma, a experiência revelou-se importante para integrar ciência, cultura e consciência
ambiental no Ensino Fundamental.
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