| Resumo: | Este estudo tem como objetivo discutir as transformações do Sistema Terra causadas pelo colonialismo e capitalismo, utilizando como acontecimento cosmopolítico (Stengers, 2015) a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte localizada na bacia do rio Xingu, no estado do Pará e seus impactos para as populações indígenas locais que tiveram seus modos de vida silenciados pelo etnocídio. Este trabalho surgiu da preocupação de apontar para outros caminhos em termos de habitabilidade planetária mais sustentável frente a projetos (neo)desenvolvimentistas e perspectivas progressistas que justificam a exploração natural e a destruição de outras cosmopercepções. Para isso, o caminho a ser percorrido durante a pesquisa é a realização de um levantamento historiográfico de como os debates arqueológicos nos ajudam a construir uma história profunda indígena (Bueno, 2019) que recoloque as variedades ontológicas existentes e suas heranças cosmológicas (Lowande, 2024), que hoje são alvos desses projetos violentos. Dentro das variedades de povos locais que foram afetados, pretende-se mapear os coletivos criados em defesa na região do rio Xingu, tais como a resistência de líderes indígenas como Raoni e a luta dos Kaiapó. Essa pesquisa busca, portanto, não só a uma, mas diversas ideias de humanidade que podem coexistir no Sistema Terra, para além de uma visão colonial maniqueísta de mundo no pós-holoceno.
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| Referência 1: | BUENO, Lucas. Arqueologia do povoamento inicial da América ou História Antiga da América: quão antigo pode ser um ‘Novo Mundo’? Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, v. 14, n. 2, |
| Referência 2: | LOWANDE, Walter Francisco Figueiredo. Patrimônios cosmológicos: futuros extramodernos emergentes em três encontros patrimoniais. In: BENEVIDES, Gilmara; LOWANDE, Walter (Orgs.). Estudos Críticos de Pa |
| Referência 3: | STENGERS, Isabelle. No tempo das catástrofes - resistir à barbárie que se aproxima. São Paulo: Cosac Naify, 2015. |