| Resumo: | Este trabalho comunica a pesquisa de mestrado vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da UNIFAL-MG. Teve como objetivo identificar se e como os processos de semiformação e semicultura, definidos a partir da teoria crítica de Theodor Adorno, atuam em jovens estudantes do Ensino Médio de uma escola do município de Alfenas-MG, bem como analisar os desdobramentos desses conceitos na vivência juvenil. O referencial teórico abrange a Sociologia da Juventude para discutir a identidade dos jovens que frequentam o Ensino Médio brasileiro e a diversidade cultural contemporânea. Também se ancora na Filosofia da Educação por meio da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, especialmente em Adorno, a fim de compreender os impactos da Indústria Cultural e das práticas neoliberais na formação juvenil. A pesquisa, de abordagem qualitativa e natureza básica, foi desenvolvida por meio de pesquisa de campo com estudantes do primeiro, segundo e terceiro ano do Ensino Médio. Inicialmente, foram acompanhadas aulas de Sociologia e Filosofia pelo método da observação participante e, posteriormente, foram entrevistados 45 estudantes dessas turmas. As entrevistas, estruturadas em quatro eixos (formação juvenil e busca de informação, vivências culturais, percepção de situações sociais e visão sobre a formação escolar), permitiram identificar que a formação desses jovens é marcada por tensões entre semiformação e possibilidades de formação crítica. Os resultados indicam que, embora predominem práticas culturais ligadas ao consumo e à Indústria Cultural, existem fissuras que revelam interesse pela reflexão filosófica e pela crítica social. A escola aparece, ao mesmo tempo, como espaço de sociabilidade e de limitação da autonomia, mas também como um campo possível de resistência e construção de consciência crítica. Assim, os conceitos de semiformação e semicultura ajudam a compreender tanto os limites impostos pela lógica neoliberal quanto as potencialidades de superação presentes na experiência juvenil.
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