| Resumo: | Este trabalho relata uma atividade sobre consciência de classe e alienação, baseada em Marx (2010), aplicada a uma turma de Primeiro Ano do Ensino Médio de uma escola estadual de Alfenas. Os alunos analisavam frases cotidianas extraídas de seu próprio contexto social, identificando os conceitos e registrando as discussões grupais em ATA. Observou-se significativa dificuldade de abstração por parte dos alunos. Apesar do uso intencional de frases pertencentes ao seu universo social, os estudantes mostraram notória incapacidade de conectá-las adequadamente aos conceitos teóricos propostos, articulando explicações baseadas predominantemente no senso comum. A aplicação da experiência prática na atividade revelou desafios dos alunos em associar experiências vividas com conceitos científicos desenvolvidos em sala de aula, conforme discutido por Saviani (2011) no que diz respeito aos desafios da apropriação do conhecimento científico pelas camadas populares. Paralelamente, manifestou-se marcante dificuldade na execução da própria tarefa. Mesmo com modelo detalhado exposto no quadro e explicações prévias, a turma não conseguiu elaborar a ATA corretamente, indicando um evidente distanciamento deste tipo de prática acadêmica. Conclui-se que a mera percepção da realidade imediata não se traduz automaticamente na compreensão dos mecanismos sociais estruturantes que a produzem. Evidencia-se, portanto, o desafio didático de mediar a construção de um olhar crítico e teórico sobre fenômenos cotidianos. A experiência reforça a importância de desenvolver metodologias dialógicas que efetivamente façam a ponte entre a vivência concreta do aluno e o conhecimento sociológico, tal como propõe Freire (1987) em sua pedagogia da problematização, criando pontes entre o senso comum e o conhecimento científico.
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