| Resumo: | A cultura nacional de consumo de frituras gera um volume significativo de óleo residual, cujo descarte
inadequado em pias, ralos ou solo configura-se como uma grave questão ambiental. Este despejo
incorreto causa entupimentos, impermeabilização do solo e contaminação de corpos hídricos, podendo
um único litro comprometer a qualidade de milhares de litros de água. Para transformar esse descarte
residual em um recurso, o Projeto Sabão EcoBom, do grupo PET Biologia da Universidade Federal de
Alfenas, propôs-se a promover a reciclagem por meio da produção de sabão artesanal, aliada à
conscientização comunitária. A estratégia operacional centrou-se na coleta voluntária de óleo usado,
realizada junto à comunidade acadêmica e à população de Alfenas, com especial atuação nas feiras locais
em parceria com o projeto “PET na Feira”. Nestas ocasiões, os petianos recebem o resíduo e, em
contrapartida, distribuem barras de sabão ecológico artesanal, fabricado pelos próprios petianos
mediante saponificação com soda cáustica líquida, água e detergente biodegradável, garantindo um
produto seguro e de qualidade. Paralelamente, a distribuição de panfletos com a receita e instruções
detalhadas visou democratizar o conhecimento e estimular a replicação domiciliar da técnica. Essa ação
já alcançou de 300 pessoas, que interagiram com os estandes do PET Biologia nas feiras livres e em
outras atividades. Os resultados apontaram para uma expressiva adesão comunitária, indicativa do
potencial educativo da iniciativa, que conseguiu redirecionar um fluxo de resíduos para a produção de
sabão. A interação direta nas feiras mostrou-se fundamental para disseminar informações e fomentar a
mudança de comportamento. Conclui-se que o projeto apresenta viabilidade técnica, baixo custo e
relevante impacto socioambiental, erigindo-se como um modelo bem-sucedido de extensão universitária
e gestão comunitária de resíduos, facilmente replicável em outros contextos.
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