| Resumo: | Apesar da relevância do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV), criado em 2009, na redução do déficit habitacional e na geração de empregos, muitos loteamentos foram construídos em áreas periféricas e carentes de serviços básicos de saúde e educação. Segundo Maricato (2011), isso ocorreu pela busca de terrenos mais baratos e lucrativos por empreiteiras e prefeituras. Tal processo caracteriza-se como segregação socioespacial, entendida como a fragmentação do espaço urbano que isola grupos sociais em vulnerabilidade em áreas de baixo valor imobiliário (Villaça, 2001; Carlos, 2022). Nesse contexto, o Jardim das Esmeraldas, com 316 casas, implantado em 2016 pelo PMCMV em Três Pontas-MG, apresenta marcas de segregação socioespacial expressas nas dificuldades de mobilidade urbana. O objetivo deste trabalho é analisar o tempo de deslocamento a pé dos moradores até serviços públicos urbanos de saúde e educação. Para isso, realizou-se pesquisa bibliográfica e análise espacial. Identificou-se a residência mais distante da entrada do bairro e os equipamentos públicos mais próximos, por meio do Google Earth Pro. Em seguida, vetorizou-se as rotas no QGIS e calcularam-se as distâncias e os tempos de deslocamento a pé. Os resultados indicam ausência de ciclovias nas rotas, transporte coletivo com baixa frequência (uma vez por hora) e atendimento médico local limitado a horários reduzidos no centro comunitário do bairro. Os deslocamentos a pé apresentam tempos significativos: pronto socorro/hospital (2,7 km/37 min), farmácia municipal (3,4 km/48 min), CMEI Jacyra Correa de Figueiredo Murad (1,9 km/26 min), Escola Municipal Prof. João de Abreu Salgado (2,3 km/31 min), Escola Estadual Prefeito Jacy Junqueira Gazola (3 km/41 min) e Instituto Federal Polo Três Pontas (3 km/41 min). Conclui-se que os moradores enfrentam barreiras espaciais e temporais no acesso a serviços básicos, reforçando a segregação socioespacial e a urgência de políticas que assegurem o direito à cidade.
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