CARACTERIZAÇÃO FISIOGRÁFICA DA BACIA DO RIO SOROCABA (SP) EM ZONA DE TRANSIÇÃO TECTONO-SEDIMENTAR
Resumo:A caracterização ambiental de bacias hidrográficas deve contemplar os elementos físico-naturais da paisagem para subsidiar uma compreensão geossistêmica de seu funcionamento. Conforme Boer (1992), a forma e o funcionamento de qualquer sistema geomorfológico resultam da interação de processos em múltiplos níveis de escala. Nessa perspectiva, esta pesquisa tem como objetivo caracterizar a geologia, a geomorfologia e a rede de drenagem da bacia hidrográfica do rio Sorocaba, situada em área de transição tectônico-sedimentar entre a Bacia Sedimentar do Paraná e cinturões móveis neoproterozoicos. A metodologia baseou-se na aquisição e processamento de bases cartográficas: (i) litológica do Serviço Geológico do Brasil – CPRM (Silva et al., 2020) (1:1.000.000); (ii) geomorfológica do IBGE (2021) (1:250.000); (iii) hidrográfica da ANA (2015) (1:50.000); e (iv) Modelo Digital de Elevação GLO-30 da Agência Espacial Europeia (30 m). Os dados foram processados em ambiente SIG (ArcGIS e Global Mapper) a partir do recorte da bacia. Na sequência os dados foram importados e processados em ambiente de SIG a partir do recorte da bacia hidrográfica do rio Sorocaba (ArcGIS e Global Mapper). Os resultados indicam distintos controles estruturais. Nos cinturões móveis: (i) predominam rochas ígneas e metamórficas resistentes à erosão, associadas a falhas extensionais; (ii) o relevo é compartimentado pelos planaltos de Paranapiacaba e Amparo, onde ocorrem as maiores altitudes (123–1217 m) e declividades; (iii) a drenagem é mais densa e intensamente dissecante. Na Bacia Sedimentar do Paraná: (i) predominam rochas sedimentares menos resistentes, mais fraturadas e com poucas falhas; (ii) a drenagem apresenta menor densidade, refletindo um relevo suavemente dissecado, mais rebaixado (459–723 m) e vinculado à depressão periférica paulista. Cabe salientar que a pesquisa encontra-se em fase inicial, sendo necessárias análises complementares para compreender a reorganização da drenagem e a migração de divisores a partir dos controles morfoestruturais em ambiente intraplaca.
Referência 1:AGÊNCIA NACIONAL DAS ÁGUAS E SANEAMENTO BÁSICO (ANA). Base Hidrográfica Ottocodificada da Bacia do Rio Tietê. Brasília: ANA, 2015. Escala 1:50.000.
Referência 2:BOER, D. H. Hierarchies and spatial scale in process geomorphology: a review. Geomorphology, v.4, n.5, p, 303-318, 1992.
Referência 3:INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Geomorfologia 1:250.000. Escala 1:250.000. Rio de Janeiro: IBGE, 2023