CARACTERIZAÇÃO FISIOGRÁFICAS DAS BACIAS DOS RIOS CAPIVARI E JUNDIAÍ (SP) EM ZONA DE TRANSIÇÃO TECTONO-SEDIMENTAR
Resumo:A caracterização físico-natural das bacias hidrográficas é essencial para compreender os controles morfoestruturais e pedológicos que condicionam a organização do relevo e a dinâmica da drenagem em áreas de transição tectono-sedimentar. Estudos dessa natureza permitem integrar variáveis geológicas, geomorfológicas e pedológicas, possibilitando avaliar a influência de estruturas e litologias sobre os padrões de dissecação e de reorganização fluvial (Cruz et al., 2025). Este trabalho tem como objetivo analisar a geologia, a geomorfologia, a pedologia e a declividade das bacias dos rios Capivari e Jundiaí, situadas na transição entre cinturões móveis proterozoicos e a Bacia Sedimentar do Paraná. A metodologia envolveu a aquisição de bases cartográficas institucionais de geologia (Silva et al., 2020), geomorfologia (IBGE, 2021), pedologia (Rossi et al., 2017), hidrografia (ANA, 2015) e o Modelo Digital de Elevação Copernicus (30 m), tratados em ambiente SIG (ArcGIS 10.8.1 e GlobalMapper 23.1), com a elaboração de mapas temáticos. Os resultados preliminares indicam variações expressivas entre os setores cristalinos e sedimentares. Nas áreas vinculadas aos cinturões móveis, predominam litologias metamórficas (gnaisses, xistos e migmatitos) e granitos, associadas a relevos montanhosos do Planalto de Amparo, com declividades superiores a 20% e drenagem densa, marcada por cotovelos de drenagem que refletem a influência de falhas estruturais. Em contrapartida, os compartimentos da Depressão Periférica Paulista e de formas agradacionais associadas a depósitos sedimentares apresentam relevo suavizado, menores declividades (< 8%) e drenagem mais espaçada em leitos aluviais. Do ponto de vista pedológico, destacam-se Cambissolos Háplicos em áreas de maior dissecação, Latossolos Vermelho-Amarelos nos interflúvios suavizados e Argissolos Vermelho-Amarelos em zonas de transição. Ressalta-se que a pesquisa encontra-se em fase inicial, sendo necessárias análises morfométricas complementares para avaliar a reorganização da drenagem e os ajustes geomorfológicos associados.
Referência 1:AGÊNCIA NACIONAL DAS ÁGUAS E SANEAMENTO BÁSICO (ANA). Base Hidrográfica Ottocodificada da Bacia do Rio Tietê. Brasília: ANA, 2015. Escala 1:50.000.
Referência 2:CRUZ, B. L et al. Reorganization of the drainage network based on morphostructural controls in passive margins. Geomorphology, v.477, 109693, 2025.
Referência 3:INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Geomorfologia 1:250.000. Escala 1:250.000. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.