| Resumo: | A caracterização físico-natural da bacia do rio Mogi-Guaçu, situada em zona de transição tectono-
sedimentar, permite compreender como controles morfoestruturais condicionam a drenagem, o relevo e a
evolução da paisagem. Segundo Christofoletti (1980), a morfometria constitui ferramenta fundamental
para integrar formas e processos na análise geomorfológica. Assim, este trabalho tem como objetivo
descrever a geologia, a geomorfologia e a rede hidrográfica da bacia, destacando os contrastes resultantes
da interação entre cinturões móveis neoproterozoicos e a Bacia Sedimentar do Paraná. A metodologia
envolveu a aquisição de bases cartográficas de geologia, geomorfologia e hidrografia (ANA, 2015; Silva
et al., 2020; IBGE, 2021), além do Modelo Digital de Elevação Copernicus (30 m), disponibilizado pela
plataforma OpenTopography. Os dados foram recortados e processados em ambiente SIG (GlobalMapper
e ArcGIS), possibilitando a elaboração de mapas temáticos e a análise da variação espacial dos elementos
físico-naturais em área de transição geológica. Os resultados preliminares evidenciam contrastes marcantes.
No setor mineiro predominam rochas cristalinas (anatexitos, migmatitos, ortognaisses e gnaisses
graníticos), além de rochas ígneas plutônicas, associadas a relevo fortemente ondulado e setores escarpados
dos Planaltos de Poços de Caldas e São Pedro de Caldas, com maior densidade de drenagem. Em território
paulista, predominam rochas sedimentares, metassedimentares e depósitos clásticos quaternários, gerando
superfícies suavemente onduladas a planas. Esses compartimentos relacionam-se aos Patamares de
Mococa–São João da Boa Vista, que marcam a transição entre os planaltos e a Depressão Periférica
Paulista. Nessa área, a drenagem dendrítica tende a se tornar mais espaçada a jusante, acompanhando o
rebaixamento topográfico. Ressalta-se que a pesquisa encontra-se em fase inicial, sendo necessárias
análises complementares para avaliar a reorganização da drenagem, a migração de divisores e processos
de rejuvenescimento fluvial associados à reativação tectônica.
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