| Resumo: | Estudos indicam que alimentos consumidos crus, como hortaliças, verduras e frutas, podem
atuar como veículos de transmissão de parasitas1. O solo utilizado no cultivo pode estar contaminado por
adubo orgânico proveniente de dejetos fecais, fezes de animais domésticos, como cães e gatos, e a água
de irrigação também pode representar fonte de contaminação2. Para investigar o risco de transmissão de
parasitoses intestinais, foi avaliada a ocorrência de parasitas no solo, hortaliças e na água utilizada para
irrigação e consumo de uma escola de Alfenas-MG e aplicado questionário higiênico-sanitário aos alunos
matriculados no ensino médio da mesma escola. As coletas de solo e hortaliças foram realizadas em
pontos aleatórios dos canteiros da horta, seguindo padrão em zig-zag. Aproximadamente 50 g de solo
foram obtidos por ponto, incluindo amostras superficiais e profundas, e pelo menos cinco unidades de
hortaliças foram selecionadas. Após lavagem das hortaliças em água destilada, o líquido resultante foi
submetido à sedimentação espontânea e análise em microscopia óptica. As amostras de solo passaram
pelo mesmo procedimento, seguido da técnica de coprocultura modificada. Amostras de água foram
processadas por filtração a vácuo, imersão da membrana em solução com Tween 80 e submetidas à
técnica de flutuação. Foi realizado ainda ensaio molecular para detecção de DNA de protozoários. Os
resultados demonstraram que apenas 14,8% dos discentes conheciam o método correto de lavagem de
vegetais. A análise parasitológica detectou larvas de nematóides de vida livre no solo, além de cistos de
Entamoeba coli em solo e hortaliças. Não foram identificados parasitas na água. Já a detecção molecular
por PCR revelou DNA de Cryptosporidium parvum em hortaliças. Os resultados obtidos evidenciam a
importância de ações de educação em saúde e conscientização sobre práticas higiênicas, destacando o
papel da escola na prevenção de doenças parasitárias e na promoção da saúde coletiva.
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