ESTÁGIOS NÃO-OBRIGATÓRIOS COMO FERRAMENTA DE INTEGRAÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E CULTURA OCEÂNICA
Resumo:A educação contemporânea enfrenta o desafio de sensibilizar os estudantes para questões ambientais globais, desenvolvendo o pensamento crítico e fortalecendo a percepção sobre a relação entre sociedade e natureza. Nesse contexto, experiências extracurriculares desempenham papel essencial na formação docente, pois permitem ao futuro professor vivenciar práticas que enriquecem sua atuação em sala de aula, trazendo exemplos reais sobre a importância da conservação dos ecossistemas marinhos. O presente trabalho apresenta um relato de experiências em dois estágios na área de Biologia Marinha. O primeiro foi desenvolvido no Instituto Marcos Daniel – Projeto Chelonia Mydas, em Regência (ES), área de nidificação da tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) e da tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). As atividades incluíram biometria e coleta de material biológico, voltadas à investigação dos impactos ambientais decorrentes de ações antrópicas, como o derramamento de rejeitos de minério de ferro após o rompimento das barragens de Mariana. O segundo estágio ocorreu no Instituto Australis – Projeto Franca Austral (ProFranca), em Imbituba (SC), com foco na observação e no monitoramento populacional das baleias-francas durante a temporada reprodutiva, aliado a atividades de educação ambiental no Centro Nacional de Conservação da Baleia Franca. Essas vivências possibilitaram não apenas a compreensão prática da rotina de um biólogo, mas também a construção de competências pedagógicas, permitindo articular ciência, conservação e ensino. Assim, reforça-se a importância de incorporar a cultura oceânica como eixo integrador no processo educativo, sensibilizando as novas gerações para os impactos das ações humanas sobre o oceano, mesmo em comunidades não litorâneas, e fortalecendo a necessidade de mudanças de hábitos cotidianos em prol da sustentabilidade.
Referência 1:CHRISTOFOLETTI, R. A. et al. A década da ciência oceânica para o desenvolvimento sustentável. E eu com isso? Ciência & Cultura, v. 73, n. 2, p. 28-35, 2021.
Referência 2:GOMES, Márcio Gianordoli Teixeira; SANTOS, Marcelo Renan de Deus; HENRY, Marc. Tartarugas marinhas de ocorrência no Brasil: hábitos e aspectos da biologia da reprodução.
Referência 3:GROCH, K.R. 2000. Ocupação preferencial de áreas de concentração pela baleia franca austral, Eubalaena australis (Desmoulins, 1822), CETACEA, MYSTICETI, no litoral sul do Brasil.