| Resumo: | Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) envolve déficits na comunicação social, padrões restritos e repetitivos de comportamento e sintomas emocionais, como ansiedade e irritabilidade. A caracterização clínica é essencial para direcionar intervenções multimodais em serviços especializados. Objetivo: Descrever o perfil clínico e demográfico de crianças com TEA atendidas em instituições especializadas, com ênfase em ansiedade, irritabilidade. Materiais e Métodos: Estudo observacional, transversal, realizado com 37 crianças diagnosticadas com TEA em serviços especializados. A média de idade foi de 8,04±2,64 anos, sendo 29,7% meninas (n=11) e 70,3% meninos (n=26). Foram coletados dados clínicos e sociodemográficos. A avaliação clínica incluiu a escala Childhood Autism Rating Scale (CARS), para análise da gravidade e sintomas do TEA, e Aberrant Behavior Checklist (ABC), para sintomas comportamentais e irritabilidade. A ansiedade fisiológica foi mensurada pelo Cocoro Meter®, por meio da atividade da amilase salivar, e a irritabilidade pelo Índice de Reatividade Afetiva (IRA). A análise estatística foi descritiva, considerando frequências e médias entre grupos. Resultados: predominaram níveis de ansiedade moderada (51,1%) e alta (24,2%), enquanto 24,5% apresentaram nível baixo. Na CARS, os domínios mais comprometidos foram resposta a mudanças (58,3%), uso corporal (50,0%) e medo/nervosismo (49,9%). Limitações adicionais foram observadas em impressões gerais, nível de atividade e consistência intelectual (41,7% cada). Os menores índices ocorreram em paladar/olfato/tato e comunicação não verbal (8,3%). No ABC, os comprometimentos variaram de 4,5% a 18%, com maior frequência em estímulo sensorial (18,5%). Além disso, 59,4% faziam uso de medicação, e a irritabilidade foi predominante em nível moderado (45,9%). Conclusão: As crianças apresentaram perfil clínico caracterizado por ansiedade moderada, irritabilidade relevante e maior comprometimento em resposta a mudanças, uso corporal e medo/nervosismo. Os achados reforçam a necessidade de avaliações clínicas integradas para subsidiar intervenções terapêuticas mais eficazes.
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