| Resumo: | As desigualdades raciais nas assistências pré-natal e parto configuram um problema de saúde pública no Brasil, refletindo-se em desfechos neonatais adversos, tais como baixo peso ao nascer, escores reduzidos de Apgar e maior ocorrência de anomalias congênitas. Nesse sentido,este estudo teve como objetivo identificar características maternas e aspectos assistenciais associados a resultados neonatais desfavoráveis de mulheres negras, por meio de análise exploratória de dados. Foram utilizados dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), do ano de 2023. Foram selecionadas 11 variáveis maternas e neonatais. Após pré-processamento, que incluiu exclusão de registros nulos, de mulheres indígenas e amarelas e de outliers, restaram 2.245.029 registros. Também foi aplicada a Análise de Componentes Principais para reduzir a dimensionalidade das variáveis sociodemográficas. Em seguida, empregou-se o algoritmo K-means para agrupar os dados em sete clusters, complementados pela mineração de regras de associação com o algoritmo Apriori (suporte ≥0,25 e confiança ≥0,75). Os resultados indicaram que seis clusters apresentaram predominância de mulheres negras. O cluster C1, formado majoritariamente por mulheres brancas, concentrou melhores condições sociodemográficas e neonatais, como escolaridade superior, estado civil casado, Apgar 10 e ausência de anomalias. Em contraste, o cluster C2, composto principalmente por mulheres negras, solteiras e com baixa escolaridade, apresentou a menor média de peso ao nascer (2.670 g). O cluster C5 concentrou todos os casos de anomalias congênitas, ainda que com escores de Apgar adequados. A análise de regras mostrou que a realização de sete ou mais consultas de pré-natal esteve fortemente associada a melhores desfechos neonatais. Conclui-se que persistem desigualdades raciais na saúde materno-infantil no Brasil, com impacto direto nos resultados neonatais. Esses achados reforçam a necessidade de políticas públicas específicas e estratégias de apoio à decisão clínica voltadas à equidade e à melhoria da assistência às mulheres negras.
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| Referência 2: | MAGALHÃES, Alessandra Lourenço Caputo; et al. Proporção e fatores associados à Apgar menor que 7 no 5º minuto de vida: de 1999 a 2019, o que mudou? Ciência e Saúde Coletiva, v. 28, n. 2, p. 385-396, 2 |