COMPREENSÃO DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM SOBRE EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SALAS DE VACINA: ESTUDO QUALITATIVO
Resumo:Introdução: A Educação Permanente em Saúde (EPS) emerge como paradigma transformador no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), superando modelos tradicionais de capacitação profissional ao propor a integração entre aprendizagem e trabalho cotidiano. A sala de vacinação por ser um ambiente dinâmico marcado por constantes atualizações técnicas e protocolares, a EPS assume papel estratégico para garantir a qualidade e segurança dos procedimentos imunizantes. Este estudo teve como objetivo compreender como ocorre a educação permanente em saúde entre os profissionais da equipe de enfermagem atuantes em salas de vacina do sistema público de um município mineiro. Referencial teórico: A pesquisa foi fundamentada no referencial teórico do construcionismo social e envolveu 21 profissionais, entre enfermeiros e técnicos de enfermagem. Método: Pesquisa de natureza qualitativa, descritiva e exploratória. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas, posteriormente analisadas com base na Análise de Conteúdo de Bardin, utilizando o software NVivo®. Resultados e discussão: Os resultados indicaram que, embora os profissionais reconheçam a importância da educação permanente, sua aplicação se dá majoritariamente de forma reativa, vinculada a mudanças no calendário vacinal ou inclusão de novos imunobiológicos, sem planejamento sistemático ou abordagem crítica. Identificou-se a ausência de treinamentos formais estruturados, sendo o aprendizado frequentemente adquirido por observação e troca de experiências informais. A escassez de supervisão por parte do enfermeiro e a falta de cronogramas regulares de capacitação foram apontadas como fragilidades do processo. Como sugestões, os participantes destacaram a necessidade de capacitações contínuas, integradas ao trabalho. Conclusão: Conclui-se que a educação permanente nas salas de vacina, para ser efetiva, deve ser contínua e respaldada por políticas institucionais que reconheçam o papel do enfermeiro como líder na construção de saberes e práticas seguras. O estudo contribui para ampliar a compreensão sobre os desafios enfrentados, reforçando a importância de investimentos em educação permanente.
Referência 1:ARAGÃO, R. F. et al. Percepções e conhecimentos da equipe de enfermagem sobre o processo de imunização. Revista Brasileira em Promoção da Saúde, v. 32, 2019.
Referência 2:BARDIN, L. Análise de conteúdo. 7. ed. São Paulo: Almedina Brasil, 2016.
Referência 3:SILVA, J.; PEREIRA, M. Educação Permanente em Saúde: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Editora Saúde, 2023.