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Ações vigentes

PONTOS EM REDE: ACUPUNTURA E MEDICINA TRADICIONAL CHINESA PARA PROFISSIONAIS QUE ATUAM COM PESSOAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E OUTRAS CONDIÇÕES DO NEURODESENVOLVIMENTO.

Apresentação
A crescente valorização de abordagens não farmacológicas em saúde tem sido acompanhada, internacionalmente, por um movimento de qualificação técnica e institucional dessas práticas. Em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou a Global Traditional Medicine Strategy 2025–2034, reafirmando que a Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa (MTCI) deve ser incorporada com responsabilidade, adaptada ao contexto cultural e sustentada em evidências ao cuidado biomédico. O documento também destaca o papel das instituições de ensino e pesquisa na formação, na implementação e na avaliação de resultados, de modo a assegurar práticas qualificadas e socialmente relevantes (World Health Organization, 2025). No Brasil, essa agenda vai ao encontro do princípio da integralidade que estrutura o Sistema Único de Saúde (SUS), orientando um cuidado humanizado, contínuo e centrado nas necessidades das pessoas. A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC) organiza diretrizes para a oferta dessas práticas na rede de atenção à saúde, valorizando a ampliação das possibilidades terapêuticas e o diálogo entre saberes, com articulação entre serviços e compromisso com a qualidade do cuidado. Entre as 29 Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) reconhecidas pelo Ministério da Saúde (MS), encontram-se recursos associados à Medicina Tradicional Chinesa (MTC), como a acupuntura, acupuntura auricular e a ventosaterapia, amplamente utilizados como estratégias complementares de apoio ao bem-estar e ao manejo de sintomas (Brasil, 2018). Ao mesmo tempo, prioridades recentes de pesquisa e implementação de PICS têm enfatizado a necessidade de intervenções voltadas às demandas em saúde mental, em resposta a desafios atuais como polifarmácia e crescimento do sofrimento psíquico (Ahn et al., 2025). Esse cenário se expressa no dia-a-dia de profissionais que atuam com pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições do neurodesenvolvimento, especialmente em serviços especializados. Trata-se de um campo marcado por elevada complexidade, exigências comunicacionais específicas, necessidade de ambientes acolhedores, bem como sobrecarga emocional e estressores ocupacionais. Esses aspectos podem impactar a qualidade do cuidado, a experiência das famílias e a saúde do trabalhador (Oehme et al., 2023). No entanto, poucos estudos e estratégias são direcionadas a esses profissionais. Considerando as necessidades do serviço, a formação universitária e a responsabilidade social, é proposto o projeto de extensão “Pontos em rede: Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa para profissionais que atuam com pessoas com Transtorno do Espectro Autista e outras condições do neurodesenvolvimento”. Desenvolvido em parceria com o Centro Municipal de Autismo (CMA) de Alfenas, o projeto fundamenta-se interação dialógica e na construção compartilhada com a equipe do serviço. A proposta integra ações como educação permanente, produção de materiais educativos aplicáveis à prática profissional e implementação de práticas da MTC, inicialmente com ênfase em acupuntura auricular e ventosaterapia, voltadas ao suporte e ao cuidado de profissionais. Com participação ativa de discentes de graduação e de pós-graduação, a iniciativa possui potencial de repercussão positiva sobre trabalhadores, usuários e famílias, em consonância com os princípios do SUS e com os fundamentos da extensão universitária.

Objetivos
Objetivo geral: Implementar práticas de MTC e acupuntura (acupuntura auricular e ventosaterapia) como estratégias de cuidado e autocuidado para profissionais que atuam no cuidado de pessoas com TEA e outras condições do neurodesenvolvimento. Objetivos específicos: a) Realizar atendimentos regulares de acupuntura auricular e ventosaterapia para profissionais que atuam no cuidado de pessoas com TEA e outras condições do neurodesenvolvimento. b) Produzir materiais de apoio para continuidade do uso das práticas de MTC e acupuntura e para orientações de autocuidado. c) Capacitar discentes para participação na execução das atividades, sob supervisão docente e com observância de critérios de segurança.
ODS 3 – Saúde e Bem-Estar;ODS 4 – Educação de Qualidade

Justificativa
As PICS, incluindo recursos da MTC, vêm sendo utilizadas como estratégias complementares para apoio ao bem-estar e ao manejo de sintomas físicos e emocionais, com boa aceitabilidade e viabilidade de implementação quando aplicadas com segurança e base em evidências (Zhao et al., 2023). A Organização Mundial da Saúde recomenda a integração responsável dessas práticas aos sistemas de saúde, com participação de instituições de ensino e pesquisa na qualificação e avaliação de resultados (World Health Organization, 2025). No contexto do cuidado a pessoas com TEA e outras condições do neurodesenvolvimento, profissionais do CMA de Alfenas enfrentam demandas intensas psicoemocionais e risco de sobrecarga. Portanto, este projeto justifica-se por implementar acupuntura auricular e ventosaterapia como práticas de cuidado e autocuidado voltadas a esses profissionais. Além do benefício ao serviço, a proposta fortalece a formação discente por meio de participação supervisionada e produção de materiais de apoio para continuidade das práticas.

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