SIEC
Sistema de Informação de Extensão e Cultura
Sistemas Integrados UNIFAL-MG

Ações vigentes

MULHERANDO A EDUCAÇÃO: LITERATURA E FEMINISMOS

Apresentação
Esta proposta é a continuação do projeto ativo desde 2023, com o nome antigo de "Literatura e Educação: Perspectivas Feministas", no qual, a partir das atividades desenvolvidas, notamos que o interesse pela leitura de uma forma geral vem caindo de maneira drástica tendo em vista que, especialmente em escolas públicas, a disciplina literatura vem perdendo espaço por conta das novas diretrizes educacionais. Sendo assim, o projeto visa atuar no campo do letramento literário, a partir do trabalho com obras produzidas por mulheres. Para isso, continuaremos com o grupo de estudos - aberto para a comunidade acadêmica e externa -, com a produção de conteúdos para o site e o Instagram do projeto e com atividades de mediação de leitura presencial e online. Além disso, pretendemos realizar exposições e desenvolver materiais didáticos. Nesse sentido, em parceria com a comunidade externa trabalharemos na construção de um ambiente de discussão para pensar criticamente a literatura e sua relação com a construção de subjetividades.

Objetivos
O objeto geral é elaborar ações que estimulem o interesse pela literatura a partir de obras de autoria feminina. Nossos objetivos específicos são: Formar grupos de estudos e/ou clubes de leitura para discutir textos literários e teóricos de autoria feminina; desenvolver o pensamento crítico a partir de leituras e debates; entender a pluralidade dos feminismos e das produções literárias de mulheres, atentando para questões de raça e classe; elaborar materiais didáticos e conteúdos para mídias digitais que colaborem na divulgação dos estudos de obras de autoria feminina; criar oportunidades para curricularização da extensão por meio da articulação do projeto com disciplinas da área de literatura dos cursos de Letras.
ODS 4 – Educação de Qualidade;ODS 5 – Igualdade de Gênero;ODS 18 – Igualdade Étnico-Racial

Justificativa
Nas últimas décadas, os estudos feministas passaram por uma “explosão” – utilizando o termo que intitula o livro Explosão Feminista (2018) de Heloísa Buarque de Hollanda – não apenas no ativismo, em números de publicações e no desenvolvimento e consolidação no ambiente acadêmico, mas também na diversificação de seu escopo. Esse cenário, embora pareça trazer um certo otimismo, depara-se, no entanto, com estruturas sociopolíticas e educacionais muitas vezes conservadoras, que veem os estudos feministas e de gênero como uma ameaça, como algo desnecessário ou, no mínimo, secundário. Virginia Woolf, em seu ensaio Um teto todo seu (2005), publicado em 1929, observa que, ao longo dos séculos, as mulheres vêm servindo como uma espécie de espelho mágico para os homens, o qual possui a capacidade de duplicar a sua imagem natural. A escritora problematiza ainda o fato de que o conteúdo das obras masculinas, quaisquer que sejam, é sempre considerado superior. Embora o ensaio tenha sido publicado no início do século XX, infelizmente vemos tais afirmações como realidade ainda hoje, em especial no que se refere a mulheres negras e indígenas. Em relação aos cursos de graduação, a inserção de obras de autoria feminina acaba sendo pautada por iniciativas individuais, majoritariamente de docentes mulheres, tendo em conta a maior autonomia na construção de programas de ensino. Já em relação à educação básica, com a BNCC, a literatura deixou de ser um componente curricular e passou a ser integrado ao campo de linguagens e suas tecnologias. A ideia é de que o conhecimento literário possa ser integrado de forma transversal especialmente à língua portuguesa – mas não apenas – e que se formem leitores fruidores, “ou seja, de um sujeito que seja capaz de se implicar na leitura dos textos, de “desvendar” suas múltiplas camadas de sentido, de responder às suas demandas e de firmar pactos de leitura. (BRASIL, 2018, p. 138)”. Uma leitura atenta à BNCC mostra, no entanto, que essa aparente flexibilidade e abertura a conteúdos acabam por deixar a literatura dependente dos outros componentes aos quais se agrega e suas respectivas competências e habilidades que, ao se relacionarem frequentemente com o mundo do trabalho, trazem uma perspectiva utilitária, proporcionada pelo ensino pautado por competências, que não vão ao encontro da experiência artística e literária e de como podemos refletir sobre a realidade em que vivemos através dessas experiências. Os índices de feminicídio, a persistência das violências contra mulheres, as desigualdades salariais e de oportunidades no mundo do trabalho, os silenciamentos, as submissões, a sobrecarga doméstica, as piadas ‘inocentes’ que as mulheres ouvem diariamente, entre outras questões, fazem parte do cotidiano de mulheres de todas as idades. São formas de opressões que atravessam séculos, etnias, classes e que encontram o eixo comum no patriarcado sob o qual nossa sociedade se estrutura. Entender essas opressões é o primeiro passo para a resistência e a luta contra tal realidade. Nesse sentido, encontramos a literatura como um instrumento para discutir a realidade, romper paradigmas e vislumbrar futuros possíveis. De acordo com Antonio Candido (2004, p. 186), “[...] a literatura pode ser um instrumento consciente de desmascaramento, pelo fato de focalizar as situações de restrição dos direitos, ou de negação deles, como a miséria, a servidão, a mutilação espiritual”. Outro ponto importante em que este projeto se fundamenta é o estímulo que a curricularização da extensão proporciona aos estudantes, cuja agência nas atividades de extensão se torna parte fundamental de suas trajetórias acadêmicas, o que os aproxima da comunidade externa, oportunizando uma formação ampla e plural. Ademais, este projeto de extensão se entrelaça com os projetos e grupos de pesquisa das docentes coordenadoras, oportunizando que estudantes se aprofundem ainda mais no tema e contribuam para sua divulgação através de pesquisas de IC.

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