Ações vigentes
ATENÇÃO À SAÚDE DA MULHER
Apresentação
O Projeto de Extensão Universitária “Atenção à Saúde da Mulher” tem como objetivo promover assistência especializada às mulheres, integrando o atendimento clínico à educação em saúde fundamentada em evidências científicas. A participação dos acadêmicos nas atividades práticas contribui para o desenvolvimento de competências técnicas e éticas, favorecendo uma formação voltada para a atenção integral à saúde e para o exercício da cidadania. A inserção de estudantes de diferentes períodos do Curso de Fisioterapia, juntamente com pós-graduandos, estimula a troca de conhecimentos, o trabalho colaborativo e a produção conjunta, fortalecendo a articulação entre ensino, pesquisa e extensão. Dessa forma, o projeto contribui para a formação acadêmica de qualidade e para o desenvolvimento de ações voltadas à saúde funcional da mulher. Fundamentado no princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, e na interação entre a universidade e a comunidade, o projeto busca promover a atenção integral à saúde da mulher por meio de práticas interdisciplinares e interprofissionais, ampliando o acesso a cuidados qualificados e contribuindo para a promoção da saúde e da qualidade de vida feminina.
Objetivos
O projeto tem como objetivo promover a capacitação e a formação de estudantes e profissionais para o cuidado integral à saúde da mulher, além de oferecer atendimento fisioterapêutico voltado à prevenção e à promoção da saúde feminina. Busca desenvolver ações interdisciplinares que contribuam para a melhoria da qualidade de vida das mulheres em diferentes fases da vida, incluindo infância, adolescência, gestação, puerpério, climatério e envelhecimento. Também realiza atividades relacionadas a condições frequentemente presentes na população feminina, como sintomas urinários, intestinais e sexuais, prolapso dos órgãos pélvicos, dor pélvica e diástase dos músculos retos abdominais. O projeto promove orientações sobre o treinamento dos músculos do assoalho pélvico, com o objetivo de esclarecer dúvidas, reduzir tabus e orientar as mulheres sobre formas de prevenir, e tratar essas disfunções. Além disso, desenvolve e aperfeiçoa protocolos de, exercícios para mulheres jovens, sem diagnóstico de disfunção e assoalho pélvico, associados ao biofeedback por ultrassonografia para auxiliar na correta ativação da musculatura abdominal e de assoalho pélvico. As ações também incentivam a prática baseada em evidências por meio da integração entre ensino, pesquisa e extensão, estimulando a produção e a divulgação do conhecimento científico. Por fim, o projeto divulga os serviços especializados oferecidos pela Clínica de Fisioterapia da UNIFAL-MG, ampliando o acesso da comunidade local e regional a atendimentos qualificados voltados à saúde da mulher.
ODS 3 – Saúde e Bem-Estar;ODS 4 – Educação de Qualidade
Justificativa
O ciclo vital feminino caracteriza-se pela transição entre diferentes fases, desde o período não reprodutivo até a fase reprodutiva, passando pelo período gravídico-puerperal, amamentação, climatério, menopausa e envelhecimento (LASSI, 2025). Em cada uma dessas etapas ocorrem alterações físicas, emocionais e fisiológicas capazes de interferir significativamente na qualidade de vida das mulheres. Ainda na adolescência, período que marca a passagem da fase não reprodutiva para a reprodutiva, destacam-se mudanças físicas, psíquicas e sociais que podem afetar as condições funcionais e a saúde das mulheres. Nessa fase, são frequentes transtornos psicopatológicos, como depressão e ansiedade, além da adoção de comportamentos de risco à saúde, incluindo o uso de álcool e drogas (LASSI et al., 2025). O período gravídico-puerperal desencadeia uma série de adaptações fisiológicas no organismo feminino. Com o avanço da gestação, transformações físicas e emocionais podem comprometer a qualidade de vida e o bem-estar, especialmente quando associadas a condições de saúde desfavoráveis (YOUSEF, 2011). Ressalta-se que é nesse período que devem ser implementadas estratégias de prevenção das disfunções do assoalho pélvico, bem como o preparo dos músculos do assoalho pélvico para o parto (PEINADO MOLINA, 2023). Além disso, alterações decorrentes do ganho de peso, aumento da pressão intra-abdominal e estiramento ligamentar e muscular podem levar ao enfraquecimento do assoalho pélvico e ao surgimento de sintomas como perda urinária, urgência miccional e prolapso de órgãos pélvicos (STROEDER, 2021). O período de amamentação, frequentemente apontado pelas mulheres como uma fase de descobertas, adaptações e sobrecarga física e emocional, também merece atenção especial dos profissionais de saúde. Nesse contexto, é fundamental oferecer suporte adequado e orientações que favoreçam o sucesso da amamentação e promovam o bem-estar materno (ARAGAKI; SILVA, 2011). Na transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva, durante o climatério, a menopausa e o envelhecimento, destacam-se manifestações somáticas e emocionais, especialmente os fogachos, que podem gerar importantes repercussões negativas na qualidade de vida (ZANGIROLAMI-RAIMUNDO, 2023). A menopausa e o processo de envelhecimento estão associados a impactos negativos na qualidade de vida das mulheres, independentemente da intensidade dos sintomas apresentados (HESS et al., 2012). Nessa fase da vida, tornam-se mais prevalentes sinais e sintomas uroginecológicos, como incontinência urinária e fecal, disfunções sexuais e dor pélvica crônica (MOLINA, 2024). As disfunções do assoalho pélvico, incluindo incontinência urinária e fecal, prolapso de órgãos pélvicos e dor pélvica, apresentam elevada prevalência e aumentam de acordo com fatores como número de gestações, partos vaginais, partos instrumentais, macrossomia fetal, idade avançada e menopausa (PEINADO MOLINA, 2023). Durante a perimenopausa e a menopausa, a deficiência estrogênica promove atrofia vulvovaginal e alterações estruturais e funcionais da bexiga e da uretra, condições agrupadas sob a denominação de síndrome geniturinária da menopausa (NAPPI, 2019). A prevalência dessa síndrome varia entre 40% e 54% das mulheres pós-menopáusicas, enquanto a incontinência urinária acomete aproximadamente 50% dessa população. Tanto a incontinência urinária quanto os sintomas da síndrome geniturinária da menopausa estão associados à piora do bem-estar emocional, da autoimagem, da vida conjugal e da participação social das mulheres (HIRSCHBERG, 2025). Grande parte das pesquisas recentes tem se concentrado no papel preventivo do treinamento dos músculos do assoalho pélvico. De acordo com a International Continence Society (2023), o treinamento dos músculos do assoalho pélvico é capaz de prevenir, minimizar e/ou tratar disfunções uroginecológicas, sendo recomendado como tratamento de primeira linha e respaldado por nível 1 de evidência científica. Além disso, recursos complementares, como o biofeedback ecográfico, podem ser associados ao treinamento, favorecendo o controle motor, a conscientização corporal e a adesão das mulheres ao tratamento (FERNANDES, 2025). Dessa forma, justifica-se a implementação de ações voltadas à atenção integral à saúde da mulher, fundamentadas na educação em saúde, promoção da saúde e prevenção de doenças e disfunções ao longo de todo o ciclo vital feminino. Tais medidas podem contribuir para a redução de comorbidades que impactam negativamente a qualidade de vida das mulheres. Além disso, o Projeto de Extensão Universitária “Atenção à Saúde da Mulher” proporcionará aos acadêmicos participantes uma formação qualificada para atuação em projetos multidisciplinares, favorecendo a integração entre prática clínica e conhecimento científico. O projeto fortalece a articulação entre ensino, pesquisa e extensão, promovendo a formação cidadã dos estudantes e o desenvolvimento de competências profissionais alinhadas às demandas da sociedade. Sob a perspectiva social, o projeto possibilita impactos positivos tanto para a comunidade interna quanto externa à UNIFAL-MG, contribuindo para a produção e disseminação do conhecimento científico. Esses benefícios decorrem das ações de educação, promoção e prevenção em saúde realizadas por meio de dinâmicas de grupo, atendimentos especializados e atividades de divulgação científica desenvolvidas pela equipe do projeto.