Ações vigentes
APE`GA
Apresentação
Os benefícios do aleitamento materno, um direito humano fundamental, são amplamente conhecidos pelos profissionais da saúde e pela população em geral. Para a saúde da mulher, o aleitamento materno contribui para diminuição do risco de câncer de mama, endométrio e ovário, além de diminuir o risco de diabetes tipo 2. O leite materno é rico em anticorpos, especialmente IgA, além de oligossacarídeos e outras substâncias que colaboram com o desenvolvimento infantil. O aleitamento materno está associado à maior proteção contra alergias e infecções, diminuindo a frequência e gravidade de doenças respiratórias e gastrointestinais. A amamentação também favorece o desenvolvimento dos ossos e o fortalecimento dos músculos da face, facilitando a fala e a respiração, além de evitar problemas na dentição. Sabe-se que os bebês que recebem leite materno adoecem menos, precisam de menos atendimento médico, hospitalizações e medicamentos e seus pais faltam menos ao trabalho. Assim, o aleitamento materno beneficia as crianças, suas famílias e toda sociedade. Apesar de tantos benefícios, segundo estudo recente, a prevalência da AME no Brasil foi de 45,8% em crianças menores de 6 meses, enquanto a prevalência do aleitamento materno foi de 43,6% entre crianças de 12 a 23 meses. A duração observada do AME foi de três meses e a do aleitamento materno foi de 15,9 meses (ENANI - UFRJ, 2021). Esses resultados sugerem uma melhora nos indicadores em relação à pesquisa realizada em 2009, que mostrou que a duração do AME foi de 1,8 meses e do aleitamento materno, de 11,2 meses (Brasil, Ministério da Saúde, 2009. II Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e Distrito Federal). No entanto, tais resultados também indicam que o Brasil está distante do cumprimento das metas propostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde, indicando a necessidade de políticas públicas com foco na promoção do aleitamento materno. Para que a amamentação seja bem-sucedida é fundamental que a mulher e sua família tenham informações de qualidade desde o pré-natal, além de acompanhamento nos primeiros dias de vida do bebê e durante todo o período de aleitamento. A mulher precisa ser amparada para amamentar e os profissionais de saúde desempenham um papel fundamental na assistência à mulher. Nesse contexto, o Programa de Extensão Ape`ga tem como objetivo promover a atenção integral ao aleitamento materno, bem como capacitar estudantes e profissionais da saúde sobre o tema e divulgar informações para o público leigo.
Objetivos
O objetivo geral da proposta é promover a atenção integral ao aleitamento materno. Os objetivos específicos são: 1- Capacitar estudantes e profissionais da Atenção Primária à Saúde do Município de Alfenas sobre aleitamento materno, com abordagens sobre o cuidado com a mama, técnica de amamentação, intercorrências e apoio ao retorno ao trabalho, além de capacitação sobre puericultura e avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor das crianças participantes da proposta. Serão capacitados estudantes da graduação, futuros profissionais da saúde; profissionais da atenção primária à saúde com ensino médio, como agentes comunitários e técnicos de enfermagem; e profissionais da atenção primária à saúde com ensino superior, como enfermeiros e médicos. 2- Orientar, incentivar, apoiar e aconselhar o aleitamento materno na Sala de Apoio ao Aleitamento Materno Ape’ga. 3- Produção de cartilha e conteúdo digital sobre aleitamento materno, que serão distribuídos para as mulheres gestantes e puérperas da comunidade local.
ODS 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável;ODS 3 – Saúde e Bem-Estar;ODS 5 – Igualdade de Gênero;ODS 10 – Redução das Desigualdades
Justificativa
O aleitamento materno é reconhecido como a melhor estratégia natural de vínculo, afeto, proteção e nutrição para os primeiros anos de vida e ainda se constitui na intervenção mais eficaz, econômica e sensível para a diminuição da morbimortalidade infantil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da saúde recomendam o aleitamento materno exclusivo (AME) até o sexto mês de vida e a manutenção da amamentação até o segundo ano de vida ou mais. Ainda que a amamentação seja considerada única, tanto para a saúde da mãe quanto para a saúde do bebê, são poucas as mulheres que amamentam no continente americano. Mesmo o início sendo quase universal, sua duração como alimentação exclusiva é baixa (OPAS/OMS, 2018). No Brasil, o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) revelou que, das 14.505 crianças com idade inferior a cinco anos, 53% permaneciam sendo alimentadas com leite materno no primeiro ano de vida e 45,7% nos primeiros seis meses (UFRJ, 2021). Dentre os fatores que influenciam o desmame precoce destacam-se o nível de escolaridade da mãe, trabalho materno, renda familiar, presença do pai, influências culturais dos familiares, condições habituais de vida, valorização estética do corpo e tabagismo. As mães tabagistas devem ser encorajadas a parar de fumar ou a adotar medidas de redução de danos, mas, independentemente disso, organizações de saúde e profissionais da área recomendam que o aleitamento materno deve ser mantido e estimulado em mulheres fumantes, uma vez que o benefício do aleitamento supera o risco da exposição de substâncias derivadas do tabaco no leite materno, sendo importante considerar que mesmo sem o aleitamento materno, a criança continua exposta ao fumo passivo.