SIEC
Sistema de Informação de Extensão e Cultura
Sistemas Integrados UNIFAL-MG

Ações com inscrições abertas

OBSERVATÓRIO DECOLONIALIDADE, SUSTENTABILIDADE E BEM VIVER

Apresentação
A crise ambiental contemporânea não pode mais ser compreendida apenas como um fenômeno climático ou uma falha de gestão técnica; ela representa, em sua essência, o esgotamento de um modelo civilizatório pautado pela exploração predatória. Nesse cenário, a urgência de repensar a relação entre humanidade e natureza exige uma abordagem que transcenda tanto as fronteiras disciplinares quanto as geográficas. A presente proposta justifica-se pela necessidade crítica de enfrentar o colapso ecológico como um desdobramento direto da "colonialidade do poder", conforme formulado por Aníbal Quijano. Ao reconhecer que as estruturas de dominação históricas silenciaram formas alternativas de vida, este diálogo interdisciplinar entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros propõe uma ruptura com a hegemonia do pensamento eurocêntrico. Nesse sentido, o projeto consiste na organização de um circuito de Colóquios temáticos e minicursos. Os colóquios temáticos intitulado “Diálogos Interculturais e decoloniais: (pluri)versidade na defesa do vem viver" consistem em rodas de conversas (presencial e/ou online, e/ou híbrido) com convidados nacionais e internacionais da academia ou do movimento popular de diversas áreas do conhecimento que venham trabalhando na perspectiva intercultural, decolonial que abordem questões socioambientais no sul global como: mudanças climáticas; eventos extremos; Antropoceno; geopolítica ambiental (tratados e convenções ambientais globais); impactos e conflitos socioambientais de empreendimentos de infraestrutura, mineração etc; Direitos humanos, justiça social e ambiental; projetos e resistências dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Serão em média 2 atividades por semestre com datas a serem definidas pelos convidados: Além de promover pelo menos um (1) minicurso/oficina por semestre, com carga horária a ser definida a ser ofertado aos estudantes da graduação e pós-graduação, comunidade acadêmica da UNIFAL e conforme demandas das associações comunitárias e movimento popular. A proposta reafirma o compromisso social da universidade pública ao converter a pesquisa e a extensão em instrumentos de enfrentamento à desigualdade e à exclusão social. Ao visibilizar os conflitos e resistências, a ação fortalece a capacidade de articulação política desses sujeitos sociais, contribuindo diretamente para a justiça socioambiental. Em última análise, a colaboração entre pesquisadores e sociedade civil organizada visa o desenvolvimento de uma democracia cognitiva, essencial para a construção de uma sociedade mais justa, ética e soberana, onde a produção do conhecimento esteja intrinsecamente ligada à defesa da vida e da dignidade humana.

Objetivos
Promover o diálogo interdisciplinar e transnacional sobre a crise ambiental, integrando a pesquisa acadêmica à prática formativa de pesquisadores e movimentos populares. O foco é articular as dimensões da Decolonialidade, Sustentabilidade e Bem Viver aos princípios da justiça social e ambiental, visibilizando saberes ancestrais, denunciando conflitos territoriais e fortalecendo as estratégias de resistência da sociedade civil frente às pressões do modelo de desenvolvimento atual
ODS 4 – Educação de Qualidade;ODS 5 – Igualdade de Gênero;ODS 10 – Redução das Desigualdades;ODS 13 – Ação Contra a Mudança Global do Clima;ODS 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes;ODS 18 – Igualdade Étnico-Racial

Justificativa
A crise ambiental contemporânea não pode mais ser compreendida apenas como um fenômeno climático ou uma falha de gestão técnica; ela representa, em sua essência, o esgotamento de um modelo civilizatório pautado pela exploração predatória. Nesse cenário, a urgência de repensar a relação entre humanidade e natureza exige uma abordagem que transcenda tanto as fronteiras disciplinares quanto as geográficas. A presente proposta justifica-se pela necessidade crítica de enfrentar o colapso ecológico como um desdobramento direto da "colonialidade do poder", termo cunhado por Aníbal Quijano. Ao reconhecer que as estruturas de dominação históricas silenciaram formas alternativas de vida, este diálogo interdisciplinar entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros propõe uma ruptura com a hegemonia do pensamento eurocêntrico que, muitas vezes, limita a sustentabilidade a métricas de mercado. Dessa forma, a colaboração internacional torna-se o terreno fértil para o que Boaventura de Sousa Santos denomina como uma "Ecologia de Saberes". Enquanto o Norte Global tende a pautar o debate ambiental por soluções tecnológicas e ajustes paliativos no capital, o Sul Global oferece a lente da Decolonialidade para denunciar as raízes da injustiça socioambiental. Esta articulação é fundamental para revelar como a gestão de recursos naturais ainda é atravessada por hierarquias raciais e geográficas, permitindo que a sustentabilidade seja resgatada de seu esvaziamento conceitual e reconectada aos imperativos da justiça social. Nesse sentido, a inserção das perspectivas do Bem Viver (Sumak Kawsay) apresenta-se não como um conceito utópico, mas como uma alternativa ética e prática já vivenciada por diversos povos originários. Como bem argumenta Ailton Krenak, a crise ambiental é também uma crise de percepção; por isso, a justiça ambiental deve ser indissociável da proteção dos territórios e das identidades. Ao colocar o equilíbrio coletivo e a vida — em todas as suas formas — no centro da discussão, este projeto busca oferecer respostas robustas aos conflitos territoriais contemporâneos, confrontando a distribuição desigual dos danos ecológicos que recaem sobre as populações historicamente vulnerabilizadas. Por fim, é fundamental tornar visíveis os conhecimentos, as resistências e as reações da sociedade civil organizada. Ao analisar as consequências socioambientais vividas por comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, o projeto se alinha à Ecologia Política de Arturo Escobar, que defende o reconhecimento do "Pluriverso". Reconhecer essas comunidades como protagonistas da preservação — e não meros objetos de estudo — é um passo indispensável para democratizar o debate ambiental. Assim, o projeto não apenas documenta conflitos, mas valida as tecnologias de existência desses grupos como estratégias vitais de sobrevivência planetária frente às pressões do modelo de desenvolvimento vigente. Portanto, as ações propostas estão articuladas coma a linha de pesquisa Conservação da biodiversidade e dinâmicas socioambientais do PPGCA pois envolvem: a interdisciplinariedade relacionada aos aspectos sociais e ambientais ligados a educação ambiental, Unidades de Conservação, sustentabilidade, comunidades tradicionais e políticas públicas e legislações ambientais e os ODS 4,10,12, 13 3 16 que serão disponibilizadas para toda comunidade acadêmica e sociedade como um todo dentro dos princípios que regem as Universidades Públicas Brasileiras fundamentados na produção e socialização do conhecimento.

Desejo me inscrever

Voltar